quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

TI Verde: normas, leis, certificações e regulamentações ambientais

Na TI Verde é fundamental que se adotem medidas que orientem os consumidores e usuários em geral sobre o uso dos equipamentos de forma sustentável e indiquem se o produto em questão atende aos pré-requisitos ambientais como a biodegradabilidade, a retornabilidade, o uso de materiais recicláveis e a ecoeficiência energética (DIAS, 2015). Normas, leis, certificações e regulamentações ambientais são criadas com base em órgãos internacionais e caracterizam-se por serem um conjunto de padrões de processos nas cadeias produtivas que culminam na qualidade do produto final de forma não prejudicial ao meio ambiente (GIANELLI, 2016). Sem a intenção de esgotar todas as legislações diretas ou indiretas sobre TI Verde, observemos algumas.

A partir da década de 1980 começaram a existir deliberações legais mais enfáticas sobre o meio ambiente e que foram precursoras do que futuramente seria a base conceitual da TI Verde. O Protocolo de Montreal (https://www.unenvironment.org/ozonaction/who-we-are/about-montreal-protocol) é uma delas. A camada de ozônio, que nos protege da radiação solar, é afetada pelas emissões do gás clorofluorcarboneto (CFC) e de outras substâncias halogenadas. Tais compostos compunham o processo de fabricação de extintores de incêndio, solventes orgânicos, aerossóis, gases de refrigeração, alguns componentes de computadores, carregadores de celular e peças de televisores. Em 1987, 47 países aderiram ao supracitado protocolo e se dispuseram a reduzir em mais de 80% na utilização desses agentes nocivos. Conforme Barsano e Barbosa (2019), entre 1990 e 1999 o tratado passou por uma série de revisões com a inclusão de outras substâncias igualmente agressivas à camada de ozônio.

Outro importante tratado internacional é o Protocolo de Kyoto (https://unfccc.int/resource/docs/convkp/kpeng.pdf). Visando estabelecer metas para diminuição de gases poluentes em países industrializados e ratificar controles sobre outras potenciais ações poluidoras, o Protocolo de Kyoto foi discutido e negociado na cidade japonesa de mesmo nome em 1997. Em dezembro do mesmo ano, houve a coleta das assinaturas e sua ratificação se deu em março de 1998. Para que o tratado pudesse entrar em vigor, era necessário que dos 84 países que assinaram o acordo, ao menos 55 o ratificassem. Muitos não o fizeram alegando a defesa de seus interesses econômicos e políticos. O então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi o maior exemplo disso. Apenas em fevereiro de 2005 o tratado entrou em vigor com uma meta precípua: diminuir a temperatura global entre 1,5ºC e 5,8ºC até o final do século XXI. Para isso, o documento sugere: 1) aumento do uso de energias limpas; 2) proteção de florestas e áreas verdes; 3) redução drástica nas emissões de metano provenientes de aterros sanitários e lixões; 4) estabelecimento de regras para emissão de créditos de carbono.

Quanto aos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, Santos (2016) explica que foi a partir de 1994 que os países pertencentes à União Europeia começaram a implementar legislações objetivando gerenciar o aumento crescente do e-waste. No entanto, apenas no início dos anos 2000 veio a lume uma norma pioneira que tornou-se base para muitos países quando o assunto é prevenção, diminuição e descarte ambientalmente amigável do lixo eletrônico. A Waste Electrical and Electronic Equipment ou WEEE (Diretiva 2002/96/CE), entrou em vigor em fevereiro de 2003. Em sua primeira versão a diretiva já previa a criação de esquemas de coleta nos quais os consumidores devolveriam gratuitamente seus equipamentos eletrônicos já utilizados com o objetivo de aumentar a reciclagem, a recuperação e a reutilização de REEE. Definia-se também o compromisso dos fabricantes perante o recolhimento e o destino apropriado dos seus equipamentos ao final de sua vida útil (NETO; FAXINA, 2012). Em dezembro de 2008, a Comissão Europeia propôs a revisão da diretiva para enfrentar o ainda crescente fluxo de lixo eletrônico. A nova Diretiva WEEE 2012/19/UE foi publicada em 13 de agosto de 2012 e entrou em vigor em 14 de fevereiro de 2014 com um escopo ainda maior como, por exemplo: o aumento das cotas de devolução e coleta para fabricantes; a definição do que é uma instituição produtora de eletrônicos; as obrigações mais rigorosas sobre a devolução de REEE inclusive para usuários e a necessidade de nomeação de um representante autorizado por empresa que seja responsável pela coleta dos materiais já utilizados. 

Atuando em conjunto com a WEEE, a Restriction of Certain Hazardous Substances ou RoHS é uma legislação da União Europeia que entrou em vigor em 2003 (Diretiva RoHS 2002/95/CE) restringindo o uso de substancias perigosas em equipamentos elétricos e eletrônicos. Ela exige que metais pesados como chumbo, mercúrio, cádmio e cromo hexavalente, além de retardadores de chamas como bifenilas polibromadas e éteres difenil-polibromados, sejam substituídos por alternativas mais seguras. Em dezembro de 2008, a Comissão Europeia propôs a revisão da diretiva. A nova RoHS (Diretiva RoHS 2011/65/UE) entrou em vigor em 3 de janeiro de 2013. Nela, Gianelli (2016) explica que aborda-se de forma mais abrangente questões de regulamentação e aspectos legais sobre a produção de aparelhos informáticos além de trazer uma lista com 80 exceções aplicadas ao uso de substâncias perigosas. O autor ainda afirma que as próximas versões da RoHS pretendem incluir os retardantes de chamas bromados, clorados além do Policloreto de Polivinila (PVC) na lista de substâncias perigosas. A RoHS também é conhecida como a regulamentação do "lead-free", ou seja, livre de chumbo. E é nisto que residiu seu maior desafio quando de sua implementação. Por causa dela, os fabricantes de equipamentos eletrônicos tiveram que elaborar novos métodos de solda que não possuíssem chumbo em sua composição. A solda tradicional possui cerca de 63% de estanho e 37% de chumbo.

São as soldas que fixam fios e outros componentes eletrônicos nas placas de circuito impresso. Nas novas técnicas alternativas após a RoHS, outros elementos como prata, cobre e bismuto passaram a ser utilizados. Porém, há alguns complicadores de ordem físico-química dentre os quais o ponto de fusão é um dos principais: a solda tradicional (estanho + chumbo) se funde a 183ºC; os componentes eletrônicos, sensíveis à temperatura, suportam até 250ºC; ou seja, há uma margem boa do ponto de fusão da solda tradicional e da capacidade térmica das peças eletrônicas; no entanto, as soldas sem chumbo costumam fundir a um ponto entre 221ºC e 223ºC; logo, a margem diminui e coloca em risco o bom funcionamento dos eletrônicos quando da montagem do aparelho. Uma alternativa que está sendo utilizada é a liga de 99,7% de estanho e 0,3% de cobre, cujo ponto fusão é um pouco menor dentre as novas soldas. 

As políticas e as legislações nacionais de lixo eletrônico desempenham um papel importante porque estabelecem padrões e controles para governar as ações das partes interessadas associadas ao lixo eletrônico nas esferas pública e privada. As diretivas WEEE e RoHS foram adotadas como exemplos para o resto do mundo, que ainda tenta se adaptar ao avanço do lixo eletrônico. À luz do The Global e-waste Monitor (2017), até janeiro de 2017, 4.8 bilhões de pessoas em 67 países encontravam-se amparadas por legislações nacionais sobre e-waste, o que corresponde a 66% da população mundial. Isso foi considerado um avanço tomando por base o ano de 2014, quando 61 países possuíam legislações sobre REEE, cobrindo apenas 44% da população global. 




Pelo pioneirismo, é no continente europeu onde a legislação sobre o lixo eletrônico encontra-se em maior grau de desenvolvimento com 100% dos países dotados de leis específicas para REEE. Outros países com reciclagem e coleta de lixo eletrônico concretizadas em lei estão na América do Norte (100% dos países), Leste da Ásia (100% dos países), América Central (76% dos países) e Sul da Ásia (73% dos países). Austrália e Nova Zelândia, juntas, possuem 85% do território coberto por legislações locais sobre REEE. Por outro lado, em várias regiões a legislação nacional sobre lixo eletrônico está completamente ausente como no Norte e no Sul da África, na Ásia Central, na Melanésia, na Polinésia e na Micronésia. 

É evidente que cada legislação nacional sobre REEE adapta-se às especificidades da sua própria região. Porém, há três princípios básicos que regem-nas: 1) os fabricantes devem ser incentivados a melhorar o design ambiental de seus produtos e o desempenho ambiental do fornecimento destes; 2) a obsolescência deve ser evitada e os produtos devem ter uma alta taxa de utilização; 3) os materiais devem ser preservados por meio da coleta, tratamento, reutilização e reciclagem eficazes e ambientalmente correta. Em suma: produtores e fabricantes devem ser os principais responsáveis pelo pós-consumo para que se evite os impactos ambientais do descarte irregular.

Segundo Neto e Faxina (2012), desde 1996 as organizações e as empresas de variados portes têm à disposição um instrumento validado e reconhecido em mais de uma centena de países. Essa ferramenta auxilia as organizações no controle dos aspectos ambientais decorrentes de suas atividades com o objetivo de reduzir os impactos ambientais que elas possam causar. A ferramenta em questão é a norma ISO 14001. No Brasil, ela é editada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), tendo sua primeira versão publicada em 31 de dezembro de 2004 e validada a partir de 31 de janeiro de 2005 (SCHWANKE, 2013). A mais recente versão da ISO 14001 foi lançada em setembro de 2015. Sendo uma das normas da série ISO 14000, a ISO 14001 tem como finalidade equilibrar a proteção ambiental e a prevenção da poluição com as necessidades socioeconômicas. Neto e Faxina (2012) explicam que ela fornece elementos de um Sistema de Gestão Ambiental para empresas que desejem planejar, organizar e executar suas atividades em conformidade com diretrizes ambientalmente corretas. Ela se baseia no quarteto PDCA: Plan (planejar); Do (fazer); Check (checar); Action (agir). Em Planejar, são estabelecidos os princípios e os processos obrigatórios para se atingir os resultados de acordo com a política ambiental da empresa; em Fazer, os procedimentos são implementados; em Checar, monitora-se e mensura-se a conformidade dos procedimentos em relação à política ambiental da empresa, as metas e os requisitos legais; finalmente, em Agir, atua-se para corrigir os possíveis erros e fomentar uma melhoria contínua no desempenho da gestão ambiental. Especificamente em relação à gestão de Tecnologia da Informação, a ISO14001 atesta a responsabilidade da organização em relação à eficiência econômica e ambiental nas operações com a demanda energética e com a geração de resíduos eletrônicos.

Retornando às preocupações globais com o aumento da temperatura no planeta, a ONU promoveu, entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro de 2015, a 21ª Conferência das Partes (COP21). O objetivo principal foi discutir e estabelecer como meta um aumento das temperaturas médias globais em torno de 1,5ºC, um limite inferior aos 2ºC em relação à era pré-industrial (BARSANO; BARBOSA, 2019). Dessa discussão emergiu o Tratado (ou Acordo) de Paris (https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2016/04/Acordo-de-Paris.pdf), uma regulamentação que possui força de lei internacional mas que ainda não atingiu o mínimo necessário para entrar em vigor: a ratificação de pelo menos 55 países signatários responsáveis pela emissão de 55% dos gases de efeito estufa (GEE). O Brasil ainda não assinou mas comprometeu-se em reduzir, até 2025, as emissões de GEE em 37% do que era emitido em 2005; e em reduzir, até 2030, as emissões de GEE em 43% do que era emitido em 2005. Tudo isso passa necessariamente por uma redução no consumo energético, o qual a Tecnologia da Informação tem relação direta.

De acordo a International Energy Agency (IEA), dados atualizados até janeiro de 2020 indicam que os instrumentos regulatórios nacionais sobre energia elétrica limpa e renovável estão presentes em todos os continentes. No entanto, não há uma certeza de que os países que os possuem estejam seguindo-os à risca. À luz de informações colhidas no portal da IEA (https://www.iea.org/policeis), a Europa possui 79 legislações nacionais sobre energia elétrica limpa, seguida da Ásia com 48, América do Sul e Central com 35, África (principalmente na parte norte e na África do Sul) com 26, a América do Norte com 18 e a Oceania com apenas 6 regulamentações (5 australianas e 1 neozelandesa).

Já no Brasil, as legislações ambientais que possuem alguma influência no desenvolvimento da TI Verde datam de 1981 com a disposição da Lei nº 6.938 de 31 de agosto. Essa lei corresponde à Política Nacional de Meio Ambiente (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm), seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. É a lei ambiental mais importante do Brasil. Ela objetiva preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida que possibilite o desenvolvimento socioeconômico brasileiro assegurando a dignidade da vida humana. Nela, é possível notar também sua ênfase em buscar o desenvolvimento de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais, o que implica diretamente na TI Verde.

Em 1988, a proteção ao meio ambiente passa a receber um tratamento específico, objetivo e global em nossa Carta Magna. Diferentemente das versões anteriores - que trataram da questão ambiental de modo diluído e casual - a Constituição Federal de 1988 apresentou aos brasileiros uma defesa consistente ao meio ambiente. Barsano e Barbosa (2019) explicam que a alusão direta à causa ambiental pela nova Constituição foi importante para que surgissem diversos instrumentos normativos (leis, decretos, resoluções e portarias) que propusessem assegurar, na prática, um ambiente saudável para todas gerações. Apesar de haver aspectos ambientais em artigos diversos (Art. 5; Art. 23; Art. 24; Art. 170; Art. 174; Art. 200), a Constituição Federal do Brasil de 1988 traz um capítulo inteiro só sobre o meio ambiente. O capítulo em questão é o de número VI e ele é composto por apenas um artigo, o de número 225. Neste artigo, enfatiza-se o meio ambiente como de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, sendo dever do Poder Público e da coletividade dos cidadãos defendê-lo para que seja preservado para as próximas gerações. Ao prever o controle da produção, da comercialização e do emprego de técnicas, métodos e substâncias que tragam risco à vida, à qualidade de vida e ao meio ambiente (inciso V do parágrafo 1º), o artigo 225º oportuniza a TI Verde.

Depois da Constituição de 1988, outras normativas surgiram, das quais, para nossos objetivos neste Guia, é possível citar: a Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993, que versa sobre compras sustentáveis na esfera da administração pública; ratificando o que foi acordado no Tratado de Montreal, a Resolução nº 13/1995 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) - posteriormente complementada pela Resolução CONAMA nº 267/2000 - dispôs sobre a proibição da comercialização e das práticas envolvendo substâncias que contivessem ou produzissem substâncias nocivas à camada de ozônio; a Resolução CONAMA nº 257/1999, que estabeleceu a obrigatoriedade de procedimentos de reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final de pilhas e baterias que contivessem chumbo, cádmio, mercúrio e seus compostos; a Lei nº 10.295 de 17 de outubro de 2001, que cria a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, dando também outras providências; o Decreto nº 5.940/2006 que institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta (com ênfase aos materiais de TI), na fonte geradora e a sua destinação a associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis; a Lei nº 12.187 de 29 de dezembro de 2019, que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas , tratando do controle e da redução de gases poluentes na atmosfera; a Resolução CONAMA nº 436/2011, que estabelece os limites máximos de emissão de gases poluentes atmosféricos provenientes de fontes fixas, prevendo a adoção de tecnologias de controle de emissão de poluentes atmosféricos técnica e economicamente viáveis, acessíveis e já desenvolvidas em escala que permitam sua aplicação prática.

Talvez a principal legislação ambiental pós-1988 que mais impactou o universo da TI Verde no Brasil foi a Lei 12.305 de 2 de agosto de 2010. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm) procurou uma aproximação com a Diretiva europeia WEEE, estabelecendo um conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações com vistas à gestão integrada do gerenciamento dos resíduos sólidos. Segundo Barsano e Barbosa (2019), esta Política traz como características fundamentais: a responsabilidade compartilhada entre poder público, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e usuários finais; a implantação do sistema de coleta seletiva pública; definição dos princípios do poluidor-pagador e do protetor-recebedor; incentivos econômicos para iniciativas com responsabilidade ambiental; inclusão socioeconômica dos catadores de lixo por meio de cooperativas; adoção e estruturação do sistema de logística reversa.

Por fim, é válido tratar sobre a rotulagem ambiental. Barsano e Barbosa (2019), em concordância com a norma ISO 14020, definem rotulagem ambiental como certificações ou reconhecimentos a produtos adequados ao uso e consumo que manifestem menor impacto sobre o meio ambiente em comparação a outros artigos equivalentes disponíveis no mercado. Para as finalidades deste Guia, observemos algumas rotulagens ambientais que possuem vínculo com a TI Verde. 

O The Blue Angel é um selo alemão registrado no Ministério do Meio Ambiente deste país desde 1978. Segundo Pontes (2015), corresponde à mais antiga certificação de produtos e serviços que possuem características ambientalmente corretas e amigáveis. Pelo pioneirismo, outros países europeus também o acompanharam e criaram suas próprias etiquetas ambientais com o objetivo de trazer ao consumidor uma informação fundamental sobre quais mercadorias são ambientalmente não agressivas, além também de incluir em seu escopo produtos e serviços que priorizem a economia de energia. O The Blue Angel está presente em cerca de 10.000 produtos e em mais de 80 categorias de produtos. 

Como já explicado na postagem "TI Verde: um pouco de história" (https://tiverdeifs.blogspot.com/2020/01/ti-verde-um-pouco-de-historia.html), o selo Energy Star foi o berço da TI Verde. Criado em 1992 pela Environmental Protection Agency (EPA) dos Estados Unidos, tem como intuito principal difundir informações objetivas para os consumidores sobre os aparelhos elétricos e eletrônicos (em especial computadores, monitores e outros equipamentos de Tecnologia da Informação) que gastam menos energia. É um dos selos de maior destaque no mundo no que diz respeito à economia de energia em equipamentos à base de eletricidade. 



Já em 1993, o Selo Procel de Economia de Energia ou simplesmente Selo Procel, foi instituído por Decreto Presidencial no dia 8 de dezembro daquele ano. Criado pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, o selo tem como finalidade ser uma ferramenta simples e eficiente no que diz respeito à informar o consumidor sobre os equipamentos elétricos e eletrônicos disponíveis no mercado que são mais eficientes em termos de gasto de energia. Desde sua criação, várias parcerias foram estabelecidas com o Inmetro, associações de fabricantes, pesquisadores acadêmicos, laboratórios e outras pessoas e entidades com o objetivo de estimular cada vez mais a fabricação de equipamentos energeticamente eficientes, contribuindo com a redução efetiva do gasto de energia elétrica. Os equipamentos postulantes ao selo devem ser submetidos a testes em laboratórios indicados pela Eletrobrás e apenas aqueles que atingem um índice mínimo indicado para sua eficiência, são contemplados com o selo. 

A certificação TCO é o selo de sustentabilidade mais abrangente do mundo para produtos de TI. O amplo conjunto de critérios de ciclo de vida do produto, juntamente com a verificação independente, ajuda a aumentar a responsabilidade ambiental e social em onze categorias de produtos, incluindo computadores, monitores, notebooks, tablets, smartphones, desktops, impressoras, datashows, fones de ouvido, equipamentos de rede, datacenters e outros materiais de Tecnologia da Informação. Quando criado em 1992, o TCO incluía em seu escopo a busca pela eficiência energética dos monitores de computador, porém, seu crescimento fez com que seu horizonte de ações ampliasse para áreas como: análise de substâncias perigosas, ergonomia e fabricação socialmente responsável. A cada  três anos o TCO revê seus critérios de sustentabilidade ambiental e social.

O selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é uma certificação para prédios verdes concebida e concedida pela United States Green Building Council. Seu intuito é incentivar práticas de construções sustentáveis, de modo a satisfazer uma série de critérios verdes na construção de estabelecimentos. Dentre esses critérios, é possível citar o uso eficiente de energia elétrica, a utilização ambientalmente saudável dos equipamentos tecnológicos e seu descarte devidamente correto. De 167 países detentores do selo, o Brasil é o 4º com maior número de edificações certificadas pelo LEED.



O Forest Stewardship Council (FSC) é uma organização independente, sem fins lucrativos, criada em 1993 com o objetivo de garantir a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável das florestas em todo o globo. No Brasil, o FSC foi iniciado em 2001 para assegurar a certificação de empresas brasileiras que porventura trabalhassem direta ou indiretamente com o manejo de árvores. Portanto, quaisquer produtos que sejam fruto de substratos arbóreos são passíveis de requerer o selo FSC. Para a TI Verde, interessa sobretudo o uso de papeis com este selo ou selos semelhantes. A utilização de papeis com essa certificação indica que: 1) o usuário não contribui com a devastação de matas virgens; 2) valoriza-se produtos provenientes de matéria-prima extraída de modo responsável; 3) o consumidor coopera na salvaguarda dos direitos dos trabalhadores e de populações que vivem dos recursos naturais oferecidos pelas florestas; 4) para o empresário, sua organização acaba sendo reconhecida internacionalmente pela sustentabilidade. 


Criado em 1992 e reconhecido em toda a Europa bem como em diversas partes do mundo, o Ecolabel ou Rótulo Ecológico da União Europeia é um selo de excelência ambiental concedido a produtos e serviços que cumprem altos padrões ambientais ao longo de seu ciclo de vida: desde a extração de matéria-prima até a produção, distribuição e descarte do equipamento. O Rótulo Ecológico da União Europeia promove a economia circular, incentivando produtores a gerar menos resíduos sólidos e dióxido de carbono durante o processo de fabricação. Os critérios do Ecolabel também estimulam as empresas a desenvolver produtos duráveis, fáceis de reparar e reciclar. Esses critérios demandam diretrizes exigentes para empresas que buscam reduzir seu impacto ambiental e garantir a eficiência de suas ações ambientais por meio de controles de terceiros. Além disso, muitas empresas recorrem aos critérios do Ecolabel para obter orientações sobre as melhores práticas ecológicas ao desenvolver suas linhas de produção.

No final de 2018, o Brasil ganhou seu primeiro selo verde para o descarte correto de lixo eletrônico. A start-up Tech Trash, em parceria com a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro/RJ), foi a responsável por lançar o primeiro selo verde brasileiro focado no REEE. Com o objetivo concreto de contribuir com o avanço da sustentabilidade no ambiente empresarial, o selo verde vem para atender a demanda cada vez mais crescente das exigências do mercado no que diz respeito à logística reversa e ao gerenciamento dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. O selo certificará empresas que possuam boas práticas ambientais e produtos que foram construídos atendendo aos preceitos da economia circular e da logística reversa. Também está no projeto a destinação de equipamentos descartados para ONGs e Cooperativas certificadas, de modo a fortalecer a inclusão social. 

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REFERÊNCIAS
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BALDÉ, C.P.; FORTI, V.; GRAY, V.; KUEHR, R.; STEGMANN, P. The Global e-Waste monitor 2017: Quantities, flows and resources. Bonn / Geneva / Vienna: United Nation University / Information Telecommunication Union / International Solid Waste Association., 2017. 109p. 

BARSANO, P.R.; BARBOSA, R.P. Meio ambiente: guia prático e didático. 3. Ed. São Paulo: Érica, 2019. 264 p. 

DIAS, G.F. Influência de macro e micro fatores na adoção de práticas de TI Verde em instituições de Ensino Superior brasileiras: uma pesquisa à luz da Teoria da Crença-Ação-Resultado. Natal, f. 131, 2015. Dissertação (Mestrado em Administração) - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, 2015. 

GIANELLI, Á. Práticas sustentáveis em TI Verde no Instituto Federal de São Paulo: limites e possibilidades. São João da Boa Vista, f. 99, 2016. Dissertação (Mestrado em Educação, Ambiente e Sociedade) – CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO, 2016. 

NETO, R.M.; FAXINA, J.M. TI Verde e Sustentabilidade. Revista de Ciências Exatas e Tecnologia. São Paulo, v. 7, n. 7, p. 159-174, mai. 2012. 

PONTES, F.N. Estudo sobre a sustentabilidade de práticas no gerenciamento e descarte de equipamentos eletrônicos em Instituições de Ensino Superior da Baixada Santista. Santos, f. 101, 2015. Dissertação (Mestrado em Ecossistemas Costeiros e Marinhos) – UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA, 2015. 

SANTOS, L.C.P. Resíduo eletrônico: perspectiva ambiental das ações na formação profissional no Instituto Federal de Sergipe. São Cristóvão, f. 139, 2016. Tese (Doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente) - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, 2016.

SCHWANKE, C. Ambiente: tecnologias. Porto Alegre: Editora Bookman, 2013. 257p. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

TI Verde: um pouco de história

Para iniciar nossas reflexões, devemos considerar a Tecnologia da Informação (TI), como um conceito abrangente que inclui tanto os sistemas de informação, como o uso de hardware, software, peopleware, telecomunicações, automação e recursos multimídias com o objetivo de fornecer à coletividade dados, informações e conhecimento.

Os mais variados recursos de TI têm evoluído sobremaneira desde a segunda metade do século XX, principalmente devido ao seu valor estratégico e às crescentes pressões verificadas no setor econômico e produtivo Com a popularização dos computadores e o desenvolvimento da microeletrônica, a palavra informação adquiriu um sentido diferente. Seu universo semântico anterior correspondia à transmissão de dados acerca de alguém ou de algo e era comumente relacionado à divulgação de acontecimentos ou ao estabelecimento de comunicações que chegavam ao receptor com uma considerável defasagem temporal. Na década de 1950, a interlocução entre duas pessoas, cada uma situada em localidades diferentes, só era viável por intermédio de ferramentas como telefone, telex e correios. Era uma época em que não havia as comunicações via satélite, tampouco internet, celular, redes sociais virtuais, etc. Nos tempos atuais, a informação está intrinsecamente relacionada, ainda que de modo inconsciente, à noção de velocidade, ao aparato tecnológico e ao encurtamento do tempo e do espaço. Com o aperfeiçoamento constante das Tecnologias de Informação, o tempo real e a distância espacial entre populações e indivíduos consideravelmente distantes passaram a ser rigorosamente aproximados.


A evolução da TI está atrelada aos avanços científicos e tecnológicos na área da informática. A informática, por sua vez, pode ser definida como o conjunto das ciências relacionadas à coleta, armazenamento, transmissão e processamento de informações por meios digitais. Dentre essas ciências, a Computação é seu carro-chefe, assumindo a função de prover o domínio da Informática com todas as técnicas, instrumentos e metodologias que viabilizem soluções para problemas relacionados ao uso do processamento de dados.

Destarte, a história da Tecnologia da Informação está necessariamente vinculada à história da Computação.

Ao examinar os tempos pretéritos, computar significava solucionar problemas de natureza matemática, ou seja, resolver cálculos científicos complexos. No entanto, a contagem é um aspecto particular da computação que não a define por completo. Mais do que isso, computar denota também classificar. Dessa forma, a junção de contagem e classificação deu à computação uma primazia no desenvolvimento de soluções complexas dentre as quais é possível citar a navegação, as decodificações, as tributações, as observações astronômicas e as previsões de todo o tipo.

Os homens e as mulheres responsáveis por esse tipo de função no passado eram denominados de calculistas ou computadores, uma vez que eram eles e elas os incumbidos de realizar cálculos ou computações. É daí que se dá a etimologia da palavra computação.

Desde os primórdios, os seres humanos dedicaram-se ao desenvolvimento de máquinas que, não apenas resolvessem os problemas da civilização, mas que fornecessem respostas aproximadamente precisas àquele que as manipula. 

Dentre essas máquinas, é possível citar o ábaco, inventado pelos babilônios há 4.500 anos e considerado a mais antiga máquina de calcular. O mecanismo de Antikythera, possivelmente o computador analógico mais antigo da humanidade - datado de 100 anos antes de Cristo -, utilizado pelos greco-romanos para antever os movimentos do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas além de prever eclipses. As esferas armilares, utilizadas na Grécia Antiga, na China, no mundo islâmico e herdadas posteriormente aos navegadores do ocidente, eram empregadas como modelos dos movimentos do céu, colocando a Terra como centro do Universo. O astrolábio, originado no século X depois de Cristo e também ligado às navegações, eram postos a determinar o ângulo de elevação das estrelas e calcular suas respectivas periodicidades de modo a definir a posição do marinheiro em relação ao céu. Os relógios mecânicos, inventados na China no século VIII depois de Cristo, feitos para computar uniformemente a periodicidade do tempo diário.

À medida que os cálculos e, em especial, a aritmética foram ficando mais complexos e abstratos, a computação tornou-se uma atividade especializada. A partir do século XVI, sapientes como Wilhelm Shickard (1592-1635), John Napier (1550-1617), Henry Briggs (1561-1630), Blaise Pascal (1623-1662) e John Harrison (1693-1776) foram responsáveis por contribuir amplamente com a computação a partir da construção de máquinas capazes de resolver com precisão problemas envolvendo as quatro operações fundamentais.

O próximo passo da história da computação correspondeu à sua mecanização, condicionando o funcionamento das máquinas a uma independência do elemento humano. No Reino Unido, a Revolução Industrial e a consequente ascensão tecnológica na chamada Era Vitoriana, trouxe consigo o entusiasmo pelas máquinas a vapor que foram o berço da computação mecanizada ou automática.

Grande expoente desta época, o matemático britânico Charles Babbage (1791-1871) descreveu, no ano de 1822, um modelo de Máquina Diferencial cuja organização permitia realizar cálculos com polinômios. 

Em 1834, Babbage desenvolveu um projeto de Máquina Analítica, com uma estrutura composta por uma unidade lógica aritmética, fluxo de controle de ramificações condicionais, loops e memória integrada. Ou seja, a Máquina Analítica corresponde ao primeiro projeto de computador tal como o conhecemos. Sua estrutura foi basicamente a mesma adotada pelos computadores da era eletrônica. 



Neste contexto, é importante salientar o papel de Ada Lovelace (1815-1852), a primeira programadora do mundo. Sua contribuição para a computação reside no fato de ter sido ela a primeira pessoa a descrever um algoritmo para ser processado na Máquina Analítica de Charles Babbage. O algoritmo computava os números de Bernoulli (uma sequência de números racionais, ou seja, uma fração qualquer de dois números inteiros) com intrínsecas conexões com a teoria dos números. Neste procedimento, Lovelace descreveu quais cartões operacionais seriam usados para realizá-lo. Esses cartões, impulsionados principalmente por Herman Hollerith (1860-1929), um dos fundadores da International Business Machines (IBM) e precursor do processamento de dados, representavam o que hoje nós conhecemos como softwares.  


O início do século XX marcou a computação em duas vertentes: em um primeiro momento, a energia elétrica se estabeleceu como a força motriz dos processos computacionais; em seguida, as abordagens matemáticas da lógica passaram a caracterizar a computação. Resumidamente, pode-se afirmar que ambos deram à computação automática sua notável fundamentação binária.

Ainda no século XIX, George Boole (1815-1864), propôs símbolos claros e rígidos no lugar das palavras elásticas e maleáveis que compunham as equações computacionais.

O sistema proposto por Boole constituiu a base lógica para o comportamento dos circuitos elétricos dispostos na máquina de computação "universal" desenvolvida por Alan Turing (1912-1954). No ano de 1936, através do artigo "On Computable Numbers" (leia-o na íntegra: https://www.cs.virginia.edu/~robins/Turing_Paper_1936.pdf), o matemático britânico descreveu um modelo abstrato de computador que se limitava apenas aos aspectos lógicos do seu funcionamento (memória, estados e transições), sem preocupar-se com sua implementação física. A partir deste modelo universal (ou, simplesmente, Máquina de Turing), seria possível construir qualquer computador digital.

Em 1938, Turing compôs a equipe do Government Communications Headquarters (GCHQ) do serviço secreto britânico M16. Tendo como local secreto um casarão em Bletchey Park, o objetivo da agremiação era descobrir modos de decifrar os radiotelegramas cifrados nas máquinas alemãs denominadas Enigma. Essas máquinas eram capazes oferecer 150 quintilhões de possibilidades de configurações. Apenas uma delas - previamente conhecida pelo destinatário - era correta e capaz de fornecer a mensagem exata que se desejava transmitir pelo emissor.

Com apetite para problemas matemáticos desafiadores e objetivando derrubar os códigos das Enigma, Turing projetou, em 1940, a "Bomba" eletromecânica, um aparelho que não era um computador no sentido moderno, mas tinha algumas características notáveis. Semelhantes a esse aparelho, cientistas do GCHQ projetaram outros dentre os quais merece destaque a máquina decifradora Colossus. Pelo grande número de máquinas de processamento de dados concentrados em um único prédio, é possível considerar Bletchey Park como o primeiro datacenter do mundo.

As máquinas supracitadas abriram caminho para a moderna computação eletrônica. Em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, a Electronic Control Company dos Estados Unidos colocou em funcionamento o primeiro computador digital do mundo: o Electronic Numerical Integrator and Computer (ENIAC). O ENIAC era eletrônico, programável, possuía capacidade de realizar 5.000 operações por segundo e era detentor de 17.468 válvulas termiônicas de 160 kW de potência. Ademais, seus softwares eram compostos por cartões operacionais.


Ainda em 1946 e tendo o ENIAC como base, John von Neumann (1903-1957) descreveu como deveria ser a organização de um computador eletrônico com programa armazenado. Na denominada "arquitetura de von Neumann", um computador deve ser formado por blocos com funções diferentes: 1) uma memória; 2) uma unidade lógica aritmética; 3) uma unidade central de processamentos; 4) uma unidade de controle, equivalente à Máquina de Turing.

Como salientado no início deste texto, a informação digital ainda engatinhava na década de 1950. Porém, a partir deste mesmo período, a situação começou a mudar. As máquinas de computação deixaram de ser de uso exclusivo de matemáticos e começaram, paulatinamente, a fazer parte do cotidiano das pessoas. O software deixou de ser reservado apenas à codificação das máquinas e ganhou um arranjo abrangente, com linguagens de computação mais abertas. Esse afastamento entre software e hardware permitiu que as máquinas de computação tivessem suas interfaces melhoradas, tornando-as mais fáceis de serem utilizadas por pessoas comuns.

Na década de 1960, a tendência tecnológica se desenvolveu apontando para uma diminuição progressiva no tamanho dos computadores. A produção em massa de transistores e circuitos impressos forneceram a base necessária para que, em 1968, a recém-fundada Intel Corporation fosse pioneira na fabricação de microprocessadores. Estes possuíam circuitos integrados que agregavam circuitos lógicos de unidade central de processamento em um pequeno chip. Ou seja, a construção de mini e microcomputadores tornou-se uma realidade. O Osborne I, lançado em 1981 por Adam Osborne, foi o primeiro computador portátil do mundo e pesava apenas 13 kg.

As décadas de 1970 e 1980 ficaram marcadas pelo estabelecimento dos computadores tal como os conhecemos hoje. A Apple, fundada em 1976, logrou êxito nas vendas dos personal computers (PC) em 1982. Este termo, inclusive, foi criado pela IBM um ano antes, em 1981, quando esta empresa lançou seus primeiros PCs. Em 1984, a Apple apresentou o computador Macintosh, dotado de mouse, teclado e monitor além de uma interface gráfica denominada graphical user interface (GUI), caracterizada por janelas, ícones, figuras, caixas de diálogo e outras funções encontradas nos PCs atuais.

A Microsoft, fundada por Bill Gates (1955-) e Paul Allen (1953-2018) em 1975 para a produção de softwares para PCs, logo tornou-se líder no mercado mediante produção de sistemas operacionais (vide o Windows), ambientes de desenvolvimento de programas, servidores, jogos, computadores e serviços pessoais.

Para que a informação fosse potencializada neste cenário de boom tecnológico, foi necessário integrar a estrutura global de computadores. Em 1969, por iniciativa da Advanced Research Project Agency (ARPA), uma primeira experiência de conexão de computadores foi desenvolvida. O projeto conhecido como ARPANET foi responsável por ligar departamentos de pesquisa e instituições militares em território estadunidense. No início dos anos 1970, os computadores de outros órgãos e universidades ingressaram nesta rede. Até o final desta mesma década, foram criados os protocolos TCP (Transmission Control Protocol) e o IP (Internet Protocol), possibilitando uma maior abertura na intercomunicação entre computadores, transmissão e controle de recepção de dados. Em meados da década de 1980, estava criada a Internet. Hoje, é possível acessá-la por meio da rede de telefonia fixa (dial up), banda-larga (cabos ou fibras ópticas), interconexão sem fio (wireless, Wi-Fi), satélites e telefones celulares.

Em 1989, foi lançado o sistema de documentos interligados em hipermídia e executados na Internet denominado World Wide Web (WWW). Seu criador, Tim Berners-Lee (1955-), objetivava o compartilhamento de informações provenientes de pesquisas realizadas no Laboratório Europeu de Partículas Físicas. Também foi de Berners-Lee as criações do Hypertext Transfer Protocol (HTTP), do Hypertext Markup Language (HTML) e da Uniform Resource Locator (URL). Este último, trata-se do endereço virtual que se deseja acessar; o segundo, diz respeito ao protocolo para produção das páginas Web; o primeiro, corresponde ao acesso e transmissão de informações virtuais com gráficos, vídeos , fotos e sons.

Com a Internet, a computação se transformou no principal apanágio da Tecnologia da Informação. Sem as ferramentas computacionais integradas não há Tecnologia da Informação. A TI está em tudo. Cada vez mais, os dispositivos de computação acomodados em objetos do dia-a-dia serão capazes de enviar e receber informações, bem como de se conectar entre si pela Internet. Esse paradigma atual é o que se denomina de Internet das Coisas (saiba mais em: https://www.youtube.com/watch?v=QtjFedAEXus). Os artefatos só são conectados à Internet porque contêm estrutura computacional. A inserção dos computadores nos objetos cotidianamente utilizados pelos seres humanos é decorrente da atual configuração social representada pela informação como centro de toda atividade humana. Como meio de criação do conhecimento, a informação hodierna passa a desempenhar um papel fundamental na produção de riquezas, no bem-estar e na qualidade de vida dos cidadãos. Logo, o acesso às Tecnologias de Informação torna-se indispensável ao trabalho, às comunicações pessoais e ao lazer.

A Tecnologia da Informação molda a vida e ao mesmo tempo é moldada por ela. A sociedade, principalmente a contemporânea, não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas. Devido à sua penetrabilidade em todas as esferas humanas, a revolução provocada pela TI difundiu espontânea e indiretamente pela cultura mais significativa dos povos o espírito libertário da contracultura dos anos 1960. Naturalmente, o crescente contato com a informação tende a despertar no ser humano o raciocínio crítico e contestador. Como exemplos que favorecem a compreensão das consequências sociais involuntárias desencadeadas pela emergente Tecnologia da Informação na segunda metade do século XX, é possível citar: as lutas pelos direitos da mulher; o surgimento de movimentos antiautoritários e antiguerras; os crescentes debates sobre sexualidade humana; os esforços pela liberdade de expressão; as contestações contra a discriminação racial; as atenções voltadas para a questão da pobreza; os alertas à fragilidade do planeta Terra e às danosas ações antrópicas trazidos pelo movimento ambientalista. Para os objetivos desta postagem, foquemos neste último.

Nos movimentos estudantis, hippies e ativistas, cuja dimensão política chamou a atenção para a relação entre o desenvolvimento econômico e as consequências ambientais, emergiu a noção de sustentabilidade ambiental. Em 1965, pela primeira vez, a expressão Environmental Education (Educação Ambiental) foi utilizada. Isso ocorreu na Conferência de Educação da Universidade de Keele, Inglaterra.

Em 1968, um grupo criado por empresários, intelectuais e filantropos que não eram diretamente militantes ambientalistas, se reuniram em Roma, na Itália, objetivando identificar os problemas globais relacionados à preservação dos recursos naturais da Terra. O Clube de Roma, como ficou conhecida a associação, produziu uma série de relatórios sobre a questão ambiental, identificando quatro grandes problemas a serem solucionados: 1) o controle do crescimento populacional; 2) o controle do crescimento industrial; 3) a insuficiência de produção de alimentos; 4) o esgotamento dos recursos naturais. Como resultado desses estudos, em 1972 o grupo publicou o livro intitulado Os Limites do Crescimento (acesse-o: http://www.donellameadows.org/wp-content/userfiles/Limits-to-Growth-digital-scan-version.pdf).

Ainda em 1968, foi realizada em Paris a Conferência Sobre a Conservação e o Uso Racional dos Recursos da Biosfera onde foram estabelecidas as bases para o lançamento, em 1971, do Programa Homem e a Biosfera pela UNESCO. Neste programa, tratou-se das necessárias melhorias nas relações entre o homem e o meio ambiente e da conservação da biodiversidade

Em 1970 em Nevada, Estados Unidos, aconteceu o Encontro Internacional Sobre Educação Ambiental no Currículo Escolar. Neste evento, nasceu o conceito clássico da Educação Ambiental com respaldos para o desenvolvimento das atitudes e competências necessárias ao entendimento e apreciação da reciprocidade entre o ser humano, a cultura e os elementos biofísicos circundantes.

O impacto mundial causado pelas discussões levantadas pelo Clube de Roma atingiu seu ápice em 1972 com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano em Estocolmo, na Suécia. Este primeiro encontro internacional sobre o meio ambiente reuniu 113 países e teve como objetivo conscientizar os líderes mundiais sobre os efeitos catastróficos, previstos pela comunidade científica, causados pela degradação da natureza, criando sérios riscos para o bem-estar e para própria sobrevivência da humanidade.

A Conferência de Estocolmo foi marcada por um impasse envolvendo as perspectivas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Enquanto os primeiros preocupavam-se com os efeitos causados pela devastação ambiental e defendiam um acordo internacional voltado à conservação dos recursos naturais, os segundos ainda possuíam sérios problemas de miséria a serem resolvidos cuja saída mais eficaz seria mediante a industrialização e a extração contínua dos insumos oferecidos pela natureza. Considerando que o desenvolvimento econômico e social deve levar em conta as preocupações e interesses de toda a população, surgiu o conceito de Ecodesenvolvimento. O Ecodesenvolvimento consiste em um processo criativo de transformação do ambiente a partir de técnicas menos agressivas que impedem o desperdício desmedido dos recursos naturais, cuidando para que estes sejam empregados do modo mais eficiente possível à população.

Dentre os resultados da Conferência de Estocolmo, a Declaração sobre o Ambiente Humano ou Declaração de Estocolmo (leia-o: https://apambiente.pt/_zdata/Politicas/DesenvolvimentoSustentavel/1972_Declaracao_Estocolmo.pdf) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) foram os mais importantes. Eles representaram a síntese da convicção estabelecida pelo evento de que as gerações presentes e futuras têm o reconhecido direito fundamental à vida dentro de um ambiente ecologicamente saudável. Para tal, dever-se-ia adotar comportamentos ambientalmente responsáveis que pautariam as decisões governamentais concernentes às questões ambientais. Neste sentido, foram estabelecidos na supracitada Declaração 26 princípios que funcionariam como metas ambientais a serem gradualmente alcançadas pela humanidade.

Como desdobramento da Conferência de Estocolmo, no ano de 1975 na cidade de Belgrado, antiga Iugoslávia, ocorreu o Seminário Internacional de Educação Ambiental que reuniu especialistas de 65 países. Neste evento, foram formuladas orientações para que a Educação Ambiental fosse abordada nas escolas de modo contínuo, interdisciplinar e integrado às matrizes curriculares, respeitando as diferenças regionais e orientada para interesses nacionais. Como resultado do Seminário, foi elaborada a Carta de Belgrado (confira: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CBelgrado.pdf).

Em 1977 ocorreu a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em Tbilisi, antiga União Soviética e atual capital da Geórgia. Em parceria entre a UNESCO e o PNUMA, a Conferência contribuiu para definir e reforçar os princípios, os objetivos e as estratégias para a Educação Ambiental em todo o mundo. Confira algumas das recomendações deste evento: http://www.fzb.rs.gov.br/upload/20130508155354tbilisi.pdf.

Em 1983, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou um órgão independente denominado Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD). Quatro anos depois, em 1987, este órgão publicou um dos mais importantes e influentes documentos da história do ambientalismo. Este documento (confira: https://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/5987our-common-future.pdf) é um relatório denominado Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland.

Considerando como base o conceito de Ecodesenvolvimento trazido pela Conferência de Estocolmo, pela primeira vez na história veio a lume o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Segundo o Relatório Brundtland, a preocupação da humanidade não se limita apenas ao impacto da atividade econômica no meio ambiente, mas relaciona esse impacto à qualidade de vida e ao bem-estar da sociedade, tanto a atual quanto a futura. Logo, um Desenvolvimento que seja verdadeiramente Sustentável deve levar em consideração o equilíbrio de três elementos: a justiça social; a proteção ambiental; e o desenvolvimento econômico.


Em 1988, a pauta da sustentabilidade ambiental foi as alterações climáticas. Em Toronto, Canadá, foi realizada a Primeira Conferência Mundial sobre o Clima (também conhecida como Conferência de Toronto). Nela, diversos cientistas e lideranças governamentais discutiram sobre os impactos nas condições climáticas da Terra devido à interferência dos gases causadores do efeito estufa. Dados foram apresentados e debatidos, o que engendrou a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cujo intuito é avaliar os desafios postos pelas mudanças climáticas de origem antrópica.

Também em 1988, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que determinava a realização, até 1992, de uma conferência ambiental com o objetivo de avaliar como os países conseguiram lidar com a sustentabilidade ambiental desde a Conferência de Estocolmo de 1972. O Brasil ofereceu-se para sediar o evento.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (também conhecida como Rio 92 ou Eco 92) ocorreu na cidade do Rio de Janeiro em junho de 1992. Contou com a participação de 179 países, de ambientalistas e de organizações não governamentais de todo o mundo, a exemplo do Greenpeace. Além de avaliar os avanços e retrocessos em relação a 1972, a Rio 92 teve como objetivos fazer valer o Desenvolvimento Sustentável e formar base para uma associação mundial entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, buscando o compromisso de governos e sociedade na conscientização ambiental e na compreensão das necessidades comuns.

A Conferência Rio 92 aprovou documentos com finalidades mais abrangentes e de cunho político. Dentre esses documentos, estão a Declaração do Rio (http://www.scielo.br/pdf/ea/v6n15/v6n15a13.pdf) e a Agenda 21 (https://www.youtube.com/watch?v=QMRWxC9WhGY). Ambos endossam o Desenvolvimento Sustentável, mesclando as aspirações partilhadas pela totalidade dos países em relação ao progresso financeiro com a necessidade de uma consciência ecológica.

Em setembro de 2000, após reflexões sobre as convenções ambientais pregressas e avaliando as condições contemporâneas da sustentabilidade ambiental à época, os líderes dos 191 Estados Membros da ONU reuniram-se em Nova York para adotar a Declaração do Milênio. Com este documento, seria construído mais um pacto global para reduzir a pobreza extrema (correspondente ao elemento "justiça social" do conceito de Desenvolvimento Sustentável) em um conjunto de oito objetivos com prazo para seu alcance até 2015. Estes objetivos ficaram conhecidos como Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.


Uma década após a Eco 92, as Nações Unidas realizaram em agosto de 2002 uma reunião global em Joanesburgo, na África do Sul. Na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (popularmente conhecida como Rio+10), os líderes mundiais tiveram mais uma oportunidade histórica para alinhar propostas globais com metas sociais, ambientais e economicamente sustentáveis. O objetivo geral da conferência foi reforçar o Desenvolvimento Sustentável e a cooperação internacional. Dentre os pontos discutidos, merecem destaque: a questão da miséria ainda latente em boa parte do planeta; gestão de recursos naturais; direitos humanos; globalização; distribuição de renda; planejamento ambiental.

Em junho de 2012, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (ou Rio+20) apresentou como objetivos renovar e ratificar os compromissos firmados pelos líderes mundiais na Rio 92. Além disso, foram debatidos os processos de economia verde, as soluções para erradicar a pobreza e os meios para instituir ferramentas que dessem continuidade ao Desenvolvimento Sustentável.

A última grande reunião que continuou a traçar os rumos do Desenvolvimento Sustentável e da Educação Ambiental pelo mundo foi a Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. A reunião foi realizada na sede da ONU, em Nova York, em setembro de 2015. Foi apresentada aos líderes mundiais a possibilidade de confirmarem os seus compromissos com a sustentabilidade ambiental e, a partir deste comprometimento, foram definidos dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem cumpridos pelos Estados Membros até 2030. O enfoque desses objetivos reside nas áreas sociais, econômicas, ambientais e institucionais.

Relacionados ao Desenvolvimento Sustentável e à Educação Ambiental, é possível afirmar que os debates sobre sustentabilidade ainda incluem outros três conceitos igualmente importantes. O primeiro, diz respeito à produção sustentável, que significa a criação de bens de consumo por sistemas e processos não poluentes, que preservam a energia e os subsídios naturais de forma financeiramente viável, saudável e segura tanto para os consumidores quanto para a comunidade como um todo. O segundo corresponde ao consumo sustentável, que basicamente consiste em assegurar as necessidades básicas do indivíduo e da comunidade sem que, para isso, haja um consumo vultoso de energia e materiais, reduzindo, assim, os danos ambientais. O terceiro é a economia verde ou bioeconomia, que se refere à obtenção e utilização sustentável dos recursos naturais destinados ao bem estar do cidadão e da sociedade.

Se a nascente Tecnologia da Informação da segunda metade do século XX auxiliou o surgimento do movimento ambientalista, foi a consciência coletiva de defesa ao meio ambiente no início do século XXI que, tal como em uma relação dialética, passou a influenciar nos destinos da Tecnologia da Informação.

Considerando o contexto ambiental e tecnológico supracitado e as mudanças de valores decorrentes de ambos, passou a haver uma pressão social para que as inovações tecnológicas devessem estar em sintonia com as necessidades humanas e as carências sociais, de modo que as ações coletivas em suas produções fossem estabelecidas em princípios capazes de assegurar a dignidade humana e a sustentabilidade social e natural. Essa compreensão fez com que a indústria de TI começasse a desenvolver, na década de 1990, um conjunto de procedimentos visando, inicialmente, minimizar o consumo de energia elétrica dos equipamentos.

O marco da relação entre TI e sustentabilidade é o ano de 1992. Influenciada pelos crescentes debates sobre meio ambiente, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos lançou, naquele ano, o programa Energy Star.

O selo Energy Star passou a ser concedido aos produtos eletrônicos que conseguissem minimizar o uso de energia e, ao mesmo tempo, maximizar sua eficiência no funcionamento. A Energy Star foi aplicada em diferentes tipos de produtos como computadores, televisores, condicionadores de ar, televisões, geladeiras, máquinas de lavar roupa, dentre outros. Na indústria da informática, a Energy Star provocou a adoção de condutas sustentáveis – fazendo surgir, por exemplo, a opção de modo de espera em monitores após um período estabelecido de inatividade da máquina – nas quais o desenvolvimento de produtos, os processos de produção e o descarte de materiais causasse o menor impacto ambiental possível.

Nos anos seguintes, os produtos de TI evoluíram em tamanho, leveza, capacidade de armazenamento, velocidade e processamento. O já salientado avanço da microeletrônica e a crescente integração e miniaturização dos circuitos passaram a ser produzidos em larga escala. Esse fenômeno está diretamente ligado ao consumismo acelerado de equipamentos eletrônicos. Ou seja, os produtos eletrônicos, que anteriormente era feitos para durar anos, hoje, rapidamente tornam-se obsoletos gerando, por consequência, uma grande quantidade de lixo eletrônico. Este cenário motivou o início das discussões sobre práticas sustentáveis em logística reversa, remanufatura, reusabilidade e descarte correto de resíduos eletroeletrônicos.

No início dos anos 2000, gestores empresariais começaram a constatar que a Tecnologia da Informação possuía uma problemática fundamental em sua relação com o meio ambiente:


Diante deste cenário, entre os anos de 2005 e 2006, algumas empresas de TI, com a finalidade de vincular os recursos disponíveis a políticas de sustentabilidade e economia dentro das organizações de modo a gerar benefícios para si e para o meio ambiente, conceberam a noção de Tecnologia da Informação Verde ou TI Verde. Sendo considerada a mais recente manifestação de práticas sustentáveis e com crescente relevância, a TI Verde é um conjunto de práticas ecoeficientes em TI: desde a fabricação de equipamentos ecologicamente saudáveis, à adaptação sustentável da infra-estrutura de TI, considerando também a aquisição, o uso e o descarte ambientalmente responsáveis dos produtos tecnológicos informacionais.

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