segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

TI Verde: um pouco de história

Para iniciar nossas reflexões, devemos considerar a Tecnologia da Informação (TI), como um conceito abrangente que inclui tanto os sistemas de informação, como o uso de hardware, software, peopleware, telecomunicações, automação e recursos multimídias com o objetivo de fornecer à coletividade dados, informações e conhecimento.

Os mais variados recursos de TI têm evoluído sobremaneira desde a segunda metade do século XX, principalmente devido ao seu valor estratégico e às crescentes pressões verificadas no setor econômico e produtivo Com a popularização dos computadores e o desenvolvimento da microeletrônica, a palavra informação adquiriu um sentido diferente. Seu universo semântico anterior correspondia à transmissão de dados acerca de alguém ou de algo e era comumente relacionado à divulgação de acontecimentos ou ao estabelecimento de comunicações que chegavam ao receptor com uma considerável defasagem temporal. Na década de 1950, a interlocução entre duas pessoas, cada uma situada em localidades diferentes, só era viável por intermédio de ferramentas como telefone, telex e correios. Era uma época em que não havia as comunicações via satélite, tampouco internet, celular, redes sociais virtuais, etc. Nos tempos atuais, a informação está intrinsecamente relacionada, ainda que de modo inconsciente, à noção de velocidade, ao aparato tecnológico e ao encurtamento do tempo e do espaço. Com o aperfeiçoamento constante das Tecnologias de Informação, o tempo real e a distância espacial entre populações e indivíduos consideravelmente distantes passaram a ser rigorosamente aproximados.


A evolução da TI está atrelada aos avanços científicos e tecnológicos na área da informática. A informática, por sua vez, pode ser definida como o conjunto das ciências relacionadas à coleta, armazenamento, transmissão e processamento de informações por meios digitais. Dentre essas ciências, a Computação é seu carro-chefe, assumindo a função de prover o domínio da Informática com todas as técnicas, instrumentos e metodologias que viabilizem soluções para problemas relacionados ao uso do processamento de dados.

Destarte, a história da Tecnologia da Informação está necessariamente vinculada à história da Computação.

Ao examinar os tempos pretéritos, computar significava solucionar problemas de natureza matemática, ou seja, resolver cálculos científicos complexos. No entanto, a contagem é um aspecto particular da computação que não a define por completo. Mais do que isso, computar denota também classificar. Dessa forma, a junção de contagem e classificação deu à computação uma primazia no desenvolvimento de soluções complexas dentre as quais é possível citar a navegação, as decodificações, as tributações, as observações astronômicas e as previsões de todo o tipo.

Os homens e as mulheres responsáveis por esse tipo de função no passado eram denominados de calculistas ou computadores, uma vez que eram eles e elas os incumbidos de realizar cálculos ou computações. É daí que se dá a etimologia da palavra computação.

Desde os primórdios, os seres humanos dedicaram-se ao desenvolvimento de máquinas que, não apenas resolvessem os problemas da civilização, mas que fornecessem respostas aproximadamente precisas àquele que as manipula. 

Dentre essas máquinas, é possível citar o ábaco, inventado pelos babilônios há 4.500 anos e considerado a mais antiga máquina de calcular. O mecanismo de Antikythera, possivelmente o computador analógico mais antigo da humanidade - datado de 100 anos antes de Cristo -, utilizado pelos greco-romanos para antever os movimentos do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas além de prever eclipses. As esferas armilares, utilizadas na Grécia Antiga, na China, no mundo islâmico e herdadas posteriormente aos navegadores do ocidente, eram empregadas como modelos dos movimentos do céu, colocando a Terra como centro do Universo. O astrolábio, originado no século X depois de Cristo e também ligado às navegações, eram postos a determinar o ângulo de elevação das estrelas e calcular suas respectivas periodicidades de modo a definir a posição do marinheiro em relação ao céu. Os relógios mecânicos, inventados na China no século VIII depois de Cristo, feitos para computar uniformemente a periodicidade do tempo diário.

À medida que os cálculos e, em especial, a aritmética foram ficando mais complexos e abstratos, a computação tornou-se uma atividade especializada. A partir do século XVI, sapientes como Wilhelm Shickard (1592-1635), John Napier (1550-1617), Henry Briggs (1561-1630), Blaise Pascal (1623-1662) e John Harrison (1693-1776) foram responsáveis por contribuir amplamente com a computação a partir da construção de máquinas capazes de resolver com precisão problemas envolvendo as quatro operações fundamentais.

O próximo passo da história da computação correspondeu à sua mecanização, condicionando o funcionamento das máquinas a uma independência do elemento humano. No Reino Unido, a Revolução Industrial e a consequente ascensão tecnológica na chamada Era Vitoriana, trouxe consigo o entusiasmo pelas máquinas a vapor que foram o berço da computação mecanizada ou automática.

Grande expoente desta época, o matemático britânico Charles Babbage (1791-1871) descreveu, no ano de 1822, um modelo de Máquina Diferencial cuja organização permitia realizar cálculos com polinômios. 

Em 1834, Babbage desenvolveu um projeto de Máquina Analítica, com uma estrutura composta por uma unidade lógica aritmética, fluxo de controle de ramificações condicionais, loops e memória integrada. Ou seja, a Máquina Analítica corresponde ao primeiro projeto de computador tal como o conhecemos. Sua estrutura foi basicamente a mesma adotada pelos computadores da era eletrônica. 



Neste contexto, é importante salientar o papel de Ada Lovelace (1815-1852), a primeira programadora do mundo. Sua contribuição para a computação reside no fato de ter sido ela a primeira pessoa a descrever um algoritmo para ser processado na Máquina Analítica de Charles Babbage. O algoritmo computava os números de Bernoulli (uma sequência de números racionais, ou seja, uma fração qualquer de dois números inteiros) com intrínsecas conexões com a teoria dos números. Neste procedimento, Lovelace descreveu quais cartões operacionais seriam usados para realizá-lo. Esses cartões, impulsionados principalmente por Herman Hollerith (1860-1929), um dos fundadores da International Business Machines (IBM) e precursor do processamento de dados, representavam o que hoje nós conhecemos como softwares.  


O início do século XX marcou a computação em duas vertentes: em um primeiro momento, a energia elétrica se estabeleceu como a força motriz dos processos computacionais; em seguida, as abordagens matemáticas da lógica passaram a caracterizar a computação. Resumidamente, pode-se afirmar que ambos deram à computação automática sua notável fundamentação binária.

Ainda no século XIX, George Boole (1815-1864), propôs símbolos claros e rígidos no lugar das palavras elásticas e maleáveis que compunham as equações computacionais.

O sistema proposto por Boole constituiu a base lógica para o comportamento dos circuitos elétricos dispostos na máquina de computação "universal" desenvolvida por Alan Turing (1912-1954). No ano de 1936, através do artigo "On Computable Numbers" (leia-o na íntegra: https://www.cs.virginia.edu/~robins/Turing_Paper_1936.pdf), o matemático britânico descreveu um modelo abstrato de computador que se limitava apenas aos aspectos lógicos do seu funcionamento (memória, estados e transições), sem preocupar-se com sua implementação física. A partir deste modelo universal (ou, simplesmente, Máquina de Turing), seria possível construir qualquer computador digital.

Em 1938, Turing compôs a equipe do Government Communications Headquarters (GCHQ) do serviço secreto britânico M16. Tendo como local secreto um casarão em Bletchey Park, o objetivo da agremiação era descobrir modos de decifrar os radiotelegramas cifrados nas máquinas alemãs denominadas Enigma. Essas máquinas eram capazes oferecer 150 quintilhões de possibilidades de configurações. Apenas uma delas - previamente conhecida pelo destinatário - era correta e capaz de fornecer a mensagem exata que se desejava transmitir pelo emissor.

Com apetite para problemas matemáticos desafiadores e objetivando derrubar os códigos das Enigma, Turing projetou, em 1940, a "Bomba" eletromecânica, um aparelho que não era um computador no sentido moderno, mas tinha algumas características notáveis. Semelhantes a esse aparelho, cientistas do GCHQ projetaram outros dentre os quais merece destaque a máquina decifradora Colossus. Pelo grande número de máquinas de processamento de dados concentrados em um único prédio, é possível considerar Bletchey Park como o primeiro datacenter do mundo.

As máquinas supracitadas abriram caminho para a moderna computação eletrônica. Em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, a Electronic Control Company dos Estados Unidos colocou em funcionamento o primeiro computador digital do mundo: o Electronic Numerical Integrator and Computer (ENIAC). O ENIAC era eletrônico, programável, possuía capacidade de realizar 5.000 operações por segundo e era detentor de 17.468 válvulas termiônicas de 160 kW de potência. Ademais, seus softwares eram compostos por cartões operacionais.


Ainda em 1946 e tendo o ENIAC como base, John von Neumann (1903-1957) descreveu como deveria ser a organização de um computador eletrônico com programa armazenado. Na denominada "arquitetura de von Neumann", um computador deve ser formado por blocos com funções diferentes: 1) uma memória; 2) uma unidade lógica aritmética; 3) uma unidade central de processamentos; 4) uma unidade de controle, equivalente à Máquina de Turing.

Como salientado no início deste texto, a informação digital ainda engatinhava na década de 1950. Porém, a partir deste mesmo período, a situação começou a mudar. As máquinas de computação deixaram de ser de uso exclusivo de matemáticos e começaram, paulatinamente, a fazer parte do cotidiano das pessoas. O software deixou de ser reservado apenas à codificação das máquinas e ganhou um arranjo abrangente, com linguagens de computação mais abertas. Esse afastamento entre software e hardware permitiu que as máquinas de computação tivessem suas interfaces melhoradas, tornando-as mais fáceis de serem utilizadas por pessoas comuns.

Na década de 1960, a tendência tecnológica se desenvolveu apontando para uma diminuição progressiva no tamanho dos computadores. A produção em massa de transistores e circuitos impressos forneceram a base necessária para que, em 1968, a recém-fundada Intel Corporation fosse pioneira na fabricação de microprocessadores. Estes possuíam circuitos integrados que agregavam circuitos lógicos de unidade central de processamento em um pequeno chip. Ou seja, a construção de mini e microcomputadores tornou-se uma realidade. O Osborne I, lançado em 1981 por Adam Osborne, foi o primeiro computador portátil do mundo e pesava apenas 13 kg.

As décadas de 1970 e 1980 ficaram marcadas pelo estabelecimento dos computadores tal como os conhecemos hoje. A Apple, fundada em 1976, logrou êxito nas vendas dos personal computers (PC) em 1982. Este termo, inclusive, foi criado pela IBM um ano antes, em 1981, quando esta empresa lançou seus primeiros PCs. Em 1984, a Apple apresentou o computador Macintosh, dotado de mouse, teclado e monitor além de uma interface gráfica denominada graphical user interface (GUI), caracterizada por janelas, ícones, figuras, caixas de diálogo e outras funções encontradas nos PCs atuais.

A Microsoft, fundada por Bill Gates (1955-) e Paul Allen (1953-2018) em 1975 para a produção de softwares para PCs, logo tornou-se líder no mercado mediante produção de sistemas operacionais (vide o Windows), ambientes de desenvolvimento de programas, servidores, jogos, computadores e serviços pessoais.

Para que a informação fosse potencializada neste cenário de boom tecnológico, foi necessário integrar a estrutura global de computadores. Em 1969, por iniciativa da Advanced Research Project Agency (ARPA), uma primeira experiência de conexão de computadores foi desenvolvida. O projeto conhecido como ARPANET foi responsável por ligar departamentos de pesquisa e instituições militares em território estadunidense. No início dos anos 1970, os computadores de outros órgãos e universidades ingressaram nesta rede. Até o final desta mesma década, foram criados os protocolos TCP (Transmission Control Protocol) e o IP (Internet Protocol), possibilitando uma maior abertura na intercomunicação entre computadores, transmissão e controle de recepção de dados. Em meados da década de 1980, estava criada a Internet. Hoje, é possível acessá-la por meio da rede de telefonia fixa (dial up), banda-larga (cabos ou fibras ópticas), interconexão sem fio (wireless, Wi-Fi), satélites e telefones celulares.

Em 1989, foi lançado o sistema de documentos interligados em hipermídia e executados na Internet denominado World Wide Web (WWW). Seu criador, Tim Berners-Lee (1955-), objetivava o compartilhamento de informações provenientes de pesquisas realizadas no Laboratório Europeu de Partículas Físicas. Também foi de Berners-Lee as criações do Hypertext Transfer Protocol (HTTP), do Hypertext Markup Language (HTML) e da Uniform Resource Locator (URL). Este último, trata-se do endereço virtual que se deseja acessar; o segundo, diz respeito ao protocolo para produção das páginas Web; o primeiro, corresponde ao acesso e transmissão de informações virtuais com gráficos, vídeos , fotos e sons.

Com a Internet, a computação se transformou no principal apanágio da Tecnologia da Informação. Sem as ferramentas computacionais integradas não há Tecnologia da Informação. A TI está em tudo. Cada vez mais, os dispositivos de computação acomodados em objetos do dia-a-dia serão capazes de enviar e receber informações, bem como de se conectar entre si pela Internet. Esse paradigma atual é o que se denomina de Internet das Coisas (saiba mais em: https://www.youtube.com/watch?v=QtjFedAEXus). Os artefatos só são conectados à Internet porque contêm estrutura computacional. A inserção dos computadores nos objetos cotidianamente utilizados pelos seres humanos é decorrente da atual configuração social representada pela informação como centro de toda atividade humana. Como meio de criação do conhecimento, a informação hodierna passa a desempenhar um papel fundamental na produção de riquezas, no bem-estar e na qualidade de vida dos cidadãos. Logo, o acesso às Tecnologias de Informação torna-se indispensável ao trabalho, às comunicações pessoais e ao lazer.

A Tecnologia da Informação molda a vida e ao mesmo tempo é moldada por ela. A sociedade, principalmente a contemporânea, não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas. Devido à sua penetrabilidade em todas as esferas humanas, a revolução provocada pela TI difundiu espontânea e indiretamente pela cultura mais significativa dos povos o espírito libertário da contracultura dos anos 1960. Naturalmente, o crescente contato com a informação tende a despertar no ser humano o raciocínio crítico e contestador. Como exemplos que favorecem a compreensão das consequências sociais involuntárias desencadeadas pela emergente Tecnologia da Informação na segunda metade do século XX, é possível citar: as lutas pelos direitos da mulher; o surgimento de movimentos antiautoritários e antiguerras; os crescentes debates sobre sexualidade humana; os esforços pela liberdade de expressão; as contestações contra a discriminação racial; as atenções voltadas para a questão da pobreza; os alertas à fragilidade do planeta Terra e às danosas ações antrópicas trazidos pelo movimento ambientalista. Para os objetivos desta postagem, foquemos neste último.

Nos movimentos estudantis, hippies e ativistas, cuja dimensão política chamou a atenção para a relação entre o desenvolvimento econômico e as consequências ambientais, emergiu a noção de sustentabilidade ambiental. Em 1965, pela primeira vez, a expressão Environmental Education (Educação Ambiental) foi utilizada. Isso ocorreu na Conferência de Educação da Universidade de Keele, Inglaterra.

Em 1968, um grupo criado por empresários, intelectuais e filantropos que não eram diretamente militantes ambientalistas, se reuniram em Roma, na Itália, objetivando identificar os problemas globais relacionados à preservação dos recursos naturais da Terra. O Clube de Roma, como ficou conhecida a associação, produziu uma série de relatórios sobre a questão ambiental, identificando quatro grandes problemas a serem solucionados: 1) o controle do crescimento populacional; 2) o controle do crescimento industrial; 3) a insuficiência de produção de alimentos; 4) o esgotamento dos recursos naturais. Como resultado desses estudos, em 1972 o grupo publicou o livro intitulado Os Limites do Crescimento (acesse-o: http://www.donellameadows.org/wp-content/userfiles/Limits-to-Growth-digital-scan-version.pdf).

Ainda em 1968, foi realizada em Paris a Conferência Sobre a Conservação e o Uso Racional dos Recursos da Biosfera onde foram estabelecidas as bases para o lançamento, em 1971, do Programa Homem e a Biosfera pela UNESCO. Neste programa, tratou-se das necessárias melhorias nas relações entre o homem e o meio ambiente e da conservação da biodiversidade

Em 1970 em Nevada, Estados Unidos, aconteceu o Encontro Internacional Sobre Educação Ambiental no Currículo Escolar. Neste evento, nasceu o conceito clássico da Educação Ambiental com respaldos para o desenvolvimento das atitudes e competências necessárias ao entendimento e apreciação da reciprocidade entre o ser humano, a cultura e os elementos biofísicos circundantes.

O impacto mundial causado pelas discussões levantadas pelo Clube de Roma atingiu seu ápice em 1972 com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano em Estocolmo, na Suécia. Este primeiro encontro internacional sobre o meio ambiente reuniu 113 países e teve como objetivo conscientizar os líderes mundiais sobre os efeitos catastróficos, previstos pela comunidade científica, causados pela degradação da natureza, criando sérios riscos para o bem-estar e para própria sobrevivência da humanidade.

A Conferência de Estocolmo foi marcada por um impasse envolvendo as perspectivas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Enquanto os primeiros preocupavam-se com os efeitos causados pela devastação ambiental e defendiam um acordo internacional voltado à conservação dos recursos naturais, os segundos ainda possuíam sérios problemas de miséria a serem resolvidos cuja saída mais eficaz seria mediante a industrialização e a extração contínua dos insumos oferecidos pela natureza. Considerando que o desenvolvimento econômico e social deve levar em conta as preocupações e interesses de toda a população, surgiu o conceito de Ecodesenvolvimento. O Ecodesenvolvimento consiste em um processo criativo de transformação do ambiente a partir de técnicas menos agressivas que impedem o desperdício desmedido dos recursos naturais, cuidando para que estes sejam empregados do modo mais eficiente possível à população.

Dentre os resultados da Conferência de Estocolmo, a Declaração sobre o Ambiente Humano ou Declaração de Estocolmo (leia-o: https://apambiente.pt/_zdata/Politicas/DesenvolvimentoSustentavel/1972_Declaracao_Estocolmo.pdf) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) foram os mais importantes. Eles representaram a síntese da convicção estabelecida pelo evento de que as gerações presentes e futuras têm o reconhecido direito fundamental à vida dentro de um ambiente ecologicamente saudável. Para tal, dever-se-ia adotar comportamentos ambientalmente responsáveis que pautariam as decisões governamentais concernentes às questões ambientais. Neste sentido, foram estabelecidos na supracitada Declaração 26 princípios que funcionariam como metas ambientais a serem gradualmente alcançadas pela humanidade.

Como desdobramento da Conferência de Estocolmo, no ano de 1975 na cidade de Belgrado, antiga Iugoslávia, ocorreu o Seminário Internacional de Educação Ambiental que reuniu especialistas de 65 países. Neste evento, foram formuladas orientações para que a Educação Ambiental fosse abordada nas escolas de modo contínuo, interdisciplinar e integrado às matrizes curriculares, respeitando as diferenças regionais e orientada para interesses nacionais. Como resultado do Seminário, foi elaborada a Carta de Belgrado (confira: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CBelgrado.pdf).

Em 1977 ocorreu a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em Tbilisi, antiga União Soviética e atual capital da Geórgia. Em parceria entre a UNESCO e o PNUMA, a Conferência contribuiu para definir e reforçar os princípios, os objetivos e as estratégias para a Educação Ambiental em todo o mundo. Confira algumas das recomendações deste evento: http://www.fzb.rs.gov.br/upload/20130508155354tbilisi.pdf.

Em 1983, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou um órgão independente denominado Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD). Quatro anos depois, em 1987, este órgão publicou um dos mais importantes e influentes documentos da história do ambientalismo. Este documento (confira: https://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/5987our-common-future.pdf) é um relatório denominado Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland.

Considerando como base o conceito de Ecodesenvolvimento trazido pela Conferência de Estocolmo, pela primeira vez na história veio a lume o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Segundo o Relatório Brundtland, a preocupação da humanidade não se limita apenas ao impacto da atividade econômica no meio ambiente, mas relaciona esse impacto à qualidade de vida e ao bem-estar da sociedade, tanto a atual quanto a futura. Logo, um Desenvolvimento que seja verdadeiramente Sustentável deve levar em consideração o equilíbrio de três elementos: a justiça social; a proteção ambiental; e o desenvolvimento econômico.


Em 1988, a pauta da sustentabilidade ambiental foi as alterações climáticas. Em Toronto, Canadá, foi realizada a Primeira Conferência Mundial sobre o Clima (também conhecida como Conferência de Toronto). Nela, diversos cientistas e lideranças governamentais discutiram sobre os impactos nas condições climáticas da Terra devido à interferência dos gases causadores do efeito estufa. Dados foram apresentados e debatidos, o que engendrou a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cujo intuito é avaliar os desafios postos pelas mudanças climáticas de origem antrópica.

Também em 1988, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que determinava a realização, até 1992, de uma conferência ambiental com o objetivo de avaliar como os países conseguiram lidar com a sustentabilidade ambiental desde a Conferência de Estocolmo de 1972. O Brasil ofereceu-se para sediar o evento.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (também conhecida como Rio 92 ou Eco 92) ocorreu na cidade do Rio de Janeiro em junho de 1992. Contou com a participação de 179 países, de ambientalistas e de organizações não governamentais de todo o mundo, a exemplo do Greenpeace. Além de avaliar os avanços e retrocessos em relação a 1972, a Rio 92 teve como objetivos fazer valer o Desenvolvimento Sustentável e formar base para uma associação mundial entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, buscando o compromisso de governos e sociedade na conscientização ambiental e na compreensão das necessidades comuns.

A Conferência Rio 92 aprovou documentos com finalidades mais abrangentes e de cunho político. Dentre esses documentos, estão a Declaração do Rio (http://www.scielo.br/pdf/ea/v6n15/v6n15a13.pdf) e a Agenda 21 (https://www.youtube.com/watch?v=QMRWxC9WhGY). Ambos endossam o Desenvolvimento Sustentável, mesclando as aspirações partilhadas pela totalidade dos países em relação ao progresso financeiro com a necessidade de uma consciência ecológica.

Em setembro de 2000, após reflexões sobre as convenções ambientais pregressas e avaliando as condições contemporâneas da sustentabilidade ambiental à época, os líderes dos 191 Estados Membros da ONU reuniram-se em Nova York para adotar a Declaração do Milênio. Com este documento, seria construído mais um pacto global para reduzir a pobreza extrema (correspondente ao elemento "justiça social" do conceito de Desenvolvimento Sustentável) em um conjunto de oito objetivos com prazo para seu alcance até 2015. Estes objetivos ficaram conhecidos como Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.


Uma década após a Eco 92, as Nações Unidas realizaram em agosto de 2002 uma reunião global em Joanesburgo, na África do Sul. Na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (popularmente conhecida como Rio+10), os líderes mundiais tiveram mais uma oportunidade histórica para alinhar propostas globais com metas sociais, ambientais e economicamente sustentáveis. O objetivo geral da conferência foi reforçar o Desenvolvimento Sustentável e a cooperação internacional. Dentre os pontos discutidos, merecem destaque: a questão da miséria ainda latente em boa parte do planeta; gestão de recursos naturais; direitos humanos; globalização; distribuição de renda; planejamento ambiental.

Em junho de 2012, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (ou Rio+20) apresentou como objetivos renovar e ratificar os compromissos firmados pelos líderes mundiais na Rio 92. Além disso, foram debatidos os processos de economia verde, as soluções para erradicar a pobreza e os meios para instituir ferramentas que dessem continuidade ao Desenvolvimento Sustentável.

A última grande reunião que continuou a traçar os rumos do Desenvolvimento Sustentável e da Educação Ambiental pelo mundo foi a Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. A reunião foi realizada na sede da ONU, em Nova York, em setembro de 2015. Foi apresentada aos líderes mundiais a possibilidade de confirmarem os seus compromissos com a sustentabilidade ambiental e, a partir deste comprometimento, foram definidos dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem cumpridos pelos Estados Membros até 2030. O enfoque desses objetivos reside nas áreas sociais, econômicas, ambientais e institucionais.

Relacionados ao Desenvolvimento Sustentável e à Educação Ambiental, é possível afirmar que os debates sobre sustentabilidade ainda incluem outros três conceitos igualmente importantes. O primeiro, diz respeito à produção sustentável, que significa a criação de bens de consumo por sistemas e processos não poluentes, que preservam a energia e os subsídios naturais de forma financeiramente viável, saudável e segura tanto para os consumidores quanto para a comunidade como um todo. O segundo corresponde ao consumo sustentável, que basicamente consiste em assegurar as necessidades básicas do indivíduo e da comunidade sem que, para isso, haja um consumo vultoso de energia e materiais, reduzindo, assim, os danos ambientais. O terceiro é a economia verde ou bioeconomia, que se refere à obtenção e utilização sustentável dos recursos naturais destinados ao bem estar do cidadão e da sociedade.

Se a nascente Tecnologia da Informação da segunda metade do século XX auxiliou o surgimento do movimento ambientalista, foi a consciência coletiva de defesa ao meio ambiente no início do século XXI que, tal como em uma relação dialética, passou a influenciar nos destinos da Tecnologia da Informação.

Considerando o contexto ambiental e tecnológico supracitado e as mudanças de valores decorrentes de ambos, passou a haver uma pressão social para que as inovações tecnológicas devessem estar em sintonia com as necessidades humanas e as carências sociais, de modo que as ações coletivas em suas produções fossem estabelecidas em princípios capazes de assegurar a dignidade humana e a sustentabilidade social e natural. Essa compreensão fez com que a indústria de TI começasse a desenvolver, na década de 1990, um conjunto de procedimentos visando, inicialmente, minimizar o consumo de energia elétrica dos equipamentos.

O marco da relação entre TI e sustentabilidade é o ano de 1992. Influenciada pelos crescentes debates sobre meio ambiente, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos lançou, naquele ano, o programa Energy Star.

O selo Energy Star passou a ser concedido aos produtos eletrônicos que conseguissem minimizar o uso de energia e, ao mesmo tempo, maximizar sua eficiência no funcionamento. A Energy Star foi aplicada em diferentes tipos de produtos como computadores, televisores, condicionadores de ar, televisões, geladeiras, máquinas de lavar roupa, dentre outros. Na indústria da informática, a Energy Star provocou a adoção de condutas sustentáveis – fazendo surgir, por exemplo, a opção de modo de espera em monitores após um período estabelecido de inatividade da máquina – nas quais o desenvolvimento de produtos, os processos de produção e o descarte de materiais causasse o menor impacto ambiental possível.

Nos anos seguintes, os produtos de TI evoluíram em tamanho, leveza, capacidade de armazenamento, velocidade e processamento. O já salientado avanço da microeletrônica e a crescente integração e miniaturização dos circuitos passaram a ser produzidos em larga escala. Esse fenômeno está diretamente ligado ao consumismo acelerado de equipamentos eletrônicos. Ou seja, os produtos eletrônicos, que anteriormente era feitos para durar anos, hoje, rapidamente tornam-se obsoletos gerando, por consequência, uma grande quantidade de lixo eletrônico. Este cenário motivou o início das discussões sobre práticas sustentáveis em logística reversa, remanufatura, reusabilidade e descarte correto de resíduos eletroeletrônicos.

No início dos anos 2000, gestores empresariais começaram a constatar que a Tecnologia da Informação possuía uma problemática fundamental em sua relação com o meio ambiente:


Diante deste cenário, entre os anos de 2005 e 2006, algumas empresas de TI, com a finalidade de vincular os recursos disponíveis a políticas de sustentabilidade e economia dentro das organizações de modo a gerar benefícios para si e para o meio ambiente, conceberam a noção de Tecnologia da Informação Verde ou TI Verde. Sendo considerada a mais recente manifestação de práticas sustentáveis e com crescente relevância, a TI Verde é um conjunto de práticas ecoeficientes em TI: desde a fabricação de equipamentos ecologicamente saudáveis, à adaptação sustentável da infra-estrutura de TI, considerando também a aquisição, o uso e o descarte ambientalmente responsáveis dos produtos tecnológicos informacionais.

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REFERÊNCIAS
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FERREIRA, R.S.; SANTOS, L.C.; SANDOVAL, M.B.D.; CARVALHO NETO, S. TI VERDE: Vantagens da utilização desta ferramenta pelas empresas. Fórum de administração. Franca, v. 2, n. 4, p. 203-220, jul/dez, 2012.

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sábado, 7 de dezembro de 2019

O que a Tecnologia da Informação tem a ver com o aquecimento global?

Saudações Ecológicas!


Acredito que todos que visitam este blog já tenham ouvido falar no famigerado aquecimento global. 

Para que não permaneçamos no senso comum, devemos compreender que tanto o aquecimento global quanto o efeito estufa são processos naturais sem os quais a vida na Terra simplesmente não existiria. Nosso planeta encontra-se naquilo que os astrônomos e astrofísicos chamam de "zona habitável" de um sistema planetário, onde a incidência de radiação proveniente da estrela principal (no nosso caso, do Sol) permite a existência de água em estado líquido, fundamental para o desenvolvimento da vida como a conhecemos. Ademais, a estrutura do nosso planeta, dotada de uma inclinação axial média de 23,1º e de uma atmosfera recheada por gases de efeito estufa (perfluorcarbonetos, óxido nitroso, ozônio, vapor de água, metano, dióxido de carbono, dentre outros), possibilita que boa parte da energia proveniente do Sol permaneça retida em nosso planeta, permitindo que todos os seres vivos possam extrair dessa energia subsídios fundamentais para a atividade vital (vide a fotossíntese, por exemplo). O aquecimento global é tão natural que até nosso vizinho Vênus é classificado como o planeta mais quente do Sistema Solar justamente por possuir uma atmosfera densa e uma quantidade muito grande de gases de efeito estufa (provenientes sobretudo das inúmeras erupções vulcânicas), o que o faz apresentar temperaturas médias de 450 ºC.



Então, para quê se preocupar? Se o aquecimento global e o efeito estufa são naturais, então nós não temos nada a ver com isso, correto? Errado.

Senta que lá vem história!

O fenômeno do aquecimento global já ocorreu em outros períodos da história da Terra, e por isso muitos cientistas demoraram a aceitar que o atual aumento de temperatura pudesse ser causado unicamente pelas atividades humanas. Apesar de o aumento na concentração de dióxido de carbono (maior responsável pelo efeito estufa) ser constante, desde o início da industrialização no século XIX, alguns defendem a tese de que a relação entre esse aumento e a elevação da temperatura pode não ser tão direta. Lopes (2006) explica que um estudo publicado na Revista Science no ano de 2000 aponta que os fatores naturais, como erupções vulcânicas ou variações na intensidade da radiação solar que chega à Terra, seriam responsáveis por cerca de 25% da variação total de temperatura no século XX.

Indo na contramão deste entendimento, o químico norte-americano Charles David Keeling (1928-2005) foi um dos poucos estudiosos que dedicou sua vida profissional à medição dos níveis de gás carbônico no ambiente. Seus estudos tiveram início em 1954, quando desejou saber se a pressão de um gás como o CO2 era a mesma no ar e na água. Na busca da resposta, ele aperfeiçoou o aparelho usado para fazer esse tipo de medida e analisou amostras de ar e de oceanos em diferentes regiões da Terra, e em diferentes períodos do dia, durante alguns anos.

Keeling observou que em qualquer lugar onde as medições eram feitas a concentração de CO2 era aproximadamente a mesma, em torno de 315 partes por milhão (ppm). Esse era um valor médio, pois ao longo do dia o valor exato apresentava variações, atingindo um valor máximo durante a madrugada e mínimo pouco depois do meio-dia. O padrão de variações também era o mesmo para todas as regiões que ele analisou.

As variações no teor de dióxido de carbono atmosférico ao longo do dia estão relacionadas com o metabolismo dos seres clorofilados: eles captam CO2 no processo de fotossíntese e liberam esse gás na respiração. As algas e as plantas realizam fotossíntese durante o período iluminado, e a taxa de trocas gasosas é maior do que a que se verifica durante a respiração, que ocorre constantemente, dia e noite. Assim, a concentração de CO2 no ar diminui nos períodos mais iluminados do dia (quando a fotossíntese é mais intensa) e aumenta durante a madrugada, quando plantas e algas estão respirando na maior parte do tempo.

Em 1957, Charles Keeling ajudou a implantar um sistema de monitoramento da concentração dos gases atmosféricos em todo o planeta. Bases de pesquisa foram instaladas e as leituras diárias de concentração de CO2 tiveram início no ano seguinte. No início, alguns problemas técnicos comprometeram a obtenção de certas medidas, mas a partir de 1964 elas passaram a ser feitas ininterruptamente, até os dias atuais.

A representação gráfica desses resultados é conhecida como Curva de Keeling, em homenagem ao trabalho desse grande cientista. A Curva de Keeling mostra os seguintes dados sobre as condições da atmosfera atual.



Keeling e outros cientistas investigaram os fatores que explicariam o caráter ascendente desta Curva. Entre os fatores estão: o desmatamento, a emissão de CO2 pela queima de combustíveis fósseis e o fato de que o oceano não é capaz de absorver todo o CO2 lançado na atmosfera, como se pensava há algumas décadas. Ou seja, a maior responsabilidade pelo aquecimento global parece ser mesmo dos seres humanos e do seu estilo de vida atual.

Conforme já citado neste blog, em 2018 os níveis de CO2 atingiram, pelo quarto ano seguido, as maiores médias da história da humanidade. Em 2019, as emissões deste gás ficaram abaixo do esperado (crescendo apenas 0,6%) mas, mesmo assim, o número bruto é alarmante: até o final do ano, 37 bilhões de toneladas de dióxido de carbono provenientes de atividades antrópicas serão lançados na atmosfera.

"Certo, Lucas. Muito interessante. Mas onde cazzo entra a TI nisso?"

Calma, jovem. Explicá-lo(a)-ei.

Apresento-lhes a matriz elétrica mundial fornecida em 2016 pela International Energy Agency (IEA)!


A matriz elétrica mundial é formada pelo conjunto de fontes disponíveis para a geração de energia elétrica em todo o globo. Como vocês sabem, precisamos de energia elétrica para assistir televisão, ouvir rádio, acender a luz, ligar nossa geladeira, carregar nosso celular, conectar o dispositivo de Wi-Fi, utilizar nossos computadores, imprimir documentos, etc.

Diferentemente da matriz brasileira, cuja primazia da energia hidráulica representa o uso de uma fonte mais ou menos renovável e limpa, a matriz elétrica mundial é composta principalmente por combustíveis fósseis – como carvão, óleo e gás natural – processados em termelétricas. E, como vocês acabaram de ler nesta postagem, a queima de combustíveis fósseis é uma das principais causas da emissão desordenada de dióxido de carbono na atmosfera do nosso planeta.

"Lucas, ainda tou esperando a parte da TI nisso tudo. Para de enrolar, velho".

Tá bom, impaciente.

Em 2018, o consumo de energia procedente das Tecnologias de Informação representou cerca 3,7% (equivalente a 830 milhões de toneladas) das emissões globais dos gases de efeito estufa. Não bastasse esse número - que não é pequeno -, o ritmo do gasto segue crescendo a passos largos. A cada ano, 9% a mais de energia vinculada às Tecnologias de Informação é despendida. Apenas a título de comparação, a indústria aeronáutica emite anualmente, em média, cerca de 2% desses mesmos gases, 1,7% a menos do que os serviços de TI!

A informação é resultante dos dados recorrentemente publicados no site do The Shift Project, uma organização francesa sem fins lucrativos criada em 2010 que objetiva auxiliar a reduzir as mudanças climáticas e a nossa dependência dos combustíveis fósseis.

Para a entidade, a digitalização cada vez mais crescente das informações tem um papel decisivo no aumento da pegada de carbono oriunda da energia gasta nas Tecnologias de Informação. O grupo ainda alerta para o fato de que a miniaturização dos componentes de informática levam as pessoas a não perceberem o impacto que essas peças podem ter sobre o meio ambiente quando descartadas de forma incorreta.

Confiram o gráfico abaixo. Ele não é do The Shift Project mas da tese de doutorado de Hayri Acar, datada de 2017. 


O gráfico mostra que a demanda no consumo elétrico usado para alimentar a infraestrutura de TI, tem crescido a tal ponto que o prognóstico para 2020 é de atingir cerca de 60% a mais do que era consumido em 2007.  Ou seja: mais consumo de eletricidade, mais consumo de energia, mais emissões de gases de efeito estufa (principalmente CO2), maior o aquecimento global. Para se ter ideia, um computador (apenas um computador) funcionando somente uma hora por dia utiliza 5 kWh por mês, contribuindo, ao final de um ano, com a emissão de 18 kg de dióxido de carbono (BRAYNER; RAMOS; BRAYNER, 2013).

Voltando ao The Shift Project, das pesquisas desenvolvidas pela organização quatro considerações finais foram definidas.

1) A intensidade energética da indústria de TI está crescendo cerca de 4% ao ano em todo o mundo, ao passo que a tendência global é de declínio de 1,8% por ano;

2) A tendência de consumo excessivo de TI não é sustentável por conta da energia e das matérias-primas necessárias para a produção e operação desses equipamentos;

3) Ao comparar a atual situação dos diversos povos, percebe-se que o consumo de TI é desigual. Exemplificando: o estadunidense médio, em 2018, possuía em torno de 10 dispositivos conectados e consumia, mensalmente, 140 gigabytes de dados; já o indiano dispunha de apenas 1 dispositivo conectado e empregava 2 gigabytes de dados mensais. O que isso evidencia? Que o desequilíbrio na distribuição de riquezas entre as nações aponta para os países mais desenvolvidos como responsáveis no consumo cada vez mais crescente e desordenado de energia elétrica. 

4) Apesar desse quadro, o impacto ambiental causado pelas Tecnologias de Informação pode ser contornado se o consumo for moderado. Se alterarmos nossa relação com a TI, do ímpeto consumista à utilização comedida, será possível limitar o aumento do consumo de energia elétrica em, no mínimo, 1,5% por ano. 

Pequenas atitudes fazem toda diferença. Por exemplo:

- Buscar fornecedores de TI que sejam sustentáveis;
- Modernizar a infraestrutura dos datacenters visando economia de energia;
- Desligar os computadores após o término do expediente ou da aula;
- Utilizar servidores em nuvem;
- Avaliar o layout físico do datacenter para melhor circulação do ar;
- Automatizar o sistema de resfriamento do datacenter;
- Utilizar energias renováveis;
- Evitar compras desnecessárias em TI;
- Consolidar ou virtualizar os servidores;
- Verificar se o ar-condicionado está devidamente regulado ao datacenter;
- Diminuir o brilho dos monitores; 
- Consolidar os desktops;
- Preferir monitores LCD em invés de CRT;
- Programar monitores para desligarem após o ciclo de atividades;
- Utilizar thin clients; 
- Gerenciar o consumo de energia em TI através de sofwares;
- Utilizar equipamentos que possuam "selos verdes", tipo o Energy Star ou a PROCEL;
- Substituir desktops por laptops;
- Consolidar as impressoras;
- Preferir utilizar "sites verdes", com cores mais leves, que diminuem o consumo de Watts;
- etc, etc, etc.


Há uma infinidade de ações que podem ser tomadas. Basta você querer e lembrar que, do ponto de vista climático, não deve ser interessante viver em uma Terra, digamos, "venusiana". Concorda? :)
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REFERÊNCIAS

ACAR, H. Software development methodology in a Green IT environment. Lyon, f. 120, 2017. Tese (Spécialité de doctorat: Informatique) – UNIVERSITÉ DE LYON, 2017.

BRAYNER, F.L.A.; RAMOS; P.G.S.; BRAYNER, P.V.A. TI Verde: sustentabilidade na área da tecnologia da informação. In: ONE, G.M.C. (Org.); ALBUQUERQUE, H.N. (Org.). Saúde e meio ambiente: interagindo à serviço da vida. João Pessoa: Gráfica Impressos, 2013. 621 p. cap. 6, p. 64-71.

LOPES, S. Bio. 1. Ed. 3. Vol. São Paulo: Saraiva, 2006. 464p.

sábado, 16 de novembro de 2019

Minérios de conflito: o que são?

"Pode ser que duas crianças tenham morrido para você ter seu telefone celular!" (Jean-Bertin Nadonye, sacerdote e ativista congolense)




Saudações Ecológicas!

Quem esteve na oficina que ofertei em 14 de agosto, ou na palestra que proferi em 30 de agosto, ou no minicurso que ministrei em 24 de outubro, ou que tenha lido esta postagem do dia 7 de setembro, deve lembrar que eu citei um negócio chamado "minérios de conflito".

Certo...mas o que são eles e qual a relevância social deste assunto dentro do universo da TI Verde? Vamos tentar compreender.

Antes de tudo, devemos entender que quando falamos de TI Verde, estamos falando de Sustentabilidade e quando falamos de Sustentabilidade estamos falando de pelo menos um dos três pilares fundamentais do desenvolvimento sustentável denominados Tripple Bottom Line. Este conceito, desenvolvido principalmente por John Elkington em sua obra magna denominada "Sustentabilidade: canibais com garfo e faca", explica que o desenvolvimento sustentável corresponde - conforme a figura abaixo - à interseção de três grandes elementos: 1) a justiça social; 2) a proteção ao meio ambiente; 3) o desenvolvimento econômico.



Portanto, quando tratamos de temas sociais vinculados ao meio ambiente nós estamos atendendo a um dos pilares do Tripple Bottom Line (justiça social) e, consequentemente, estamos discutindo Sustentabilidade. É o caso dos minérios de conflito.

Tântalo (Ta), estanho (Sn), tungstênio (W) e ouro (Au). Mais conhecidos como 3TG (do inglês Tantalum, Tin, Tungsten e Gold), esses quatro minerais estão fortemente presentes em aparelhos eletrônicos.

O tântalo, encontrado no mineral tantalita, é considerado o rei da era digital, sendo vastamente utilizado em capacitores para armazenamento e regulação de carga elétrica. Sem o tântalo não haveria armazenamento de energia nas baterias e, por conseguinte, não haveria celulares, notebooks e tablets. Cada celular possui, em média, 40 miligramas de tântalo em seu interior. Também é utilizado em aparelhos de surdez, implantes, soldas para turbinas, videogames, marca-passos, sistemas ABS e Airbag para veículos, câmeras digitais, videogames, dentre outros. É um metal raro que apresenta um alto ponto de fusão, sendo extremamente resistente à corrosão.

Tântalo (Ta)
O estanho, utilizado para produzir diversas ligas metálicas com a função de cobrir outros metais e protegê-los da corrosão, também é um metal presente no contexto hodierno. Obtido principalmente no mineral cassiterita, sua presença em soldas é de fundamental importância para os circuitos elétricos e eletrônicos integrados.

Estanho (Sn)

O tungstênio, encontrado na natureza combinado com outro elementos, é utilizado na indústria eletrônica, petrolífera e de construção, sendo empregado na fabricação de filamentos de lâmpadas, telefones celulares, relógios, tubos de raios catódicos, nas canetas esferográficas (aquela bolinha das canetas esferográficas é feita de tungstênio), dentre outros. O metal, também conhecido como wolfrâmio (por isso seu símbolo na tabela periódica é o W), é extraído de minérios de alto valor agregado como a wolframita, a scheelita e a cassiterita. Sua principal característica é a capacidade de resistir a temperaturas elevadas, o que o leva a possuir um considerável valor industrial nos mercados de importação e exportação.

Tungstênio (W) em wolframita
O ouro, um dos metais mais desejados do mercado e de alto valor simbólico de luxo e poder, está presente no cotidiano em diversos setores. Na indústria eletrônica é utilizado como condutor de eletricidade, laminados de placas de computadores, telefones celulares, televisores de tela plana e câmeras. Devido ao seu alto custo, os produtores acabam por combiná-los com outros metais fazendo ligas de ferro, níquel e sais de cobalto. Cada celular possui 0,03 gramas de ouro em seu revestimento, o que equivale cerca de US$1,00 (um dólar). No computador, sua presença representa 0,016% em relação ao peso total da máquina, sendo 98% dele passível de ser reciclado.


Ouro (Au)
A África Central, sobretudo a República Democrática do Congo (RDC), detém 80% das reservas mundiais desses minerais. O que poderia ser uma benção - haja vista que essa região é composta por países em condição de extrema pobreza -, acabou tornando-se uma maldição. A desumana combinação composta por elementos como a histórica colonização escravista, a omissão das grandes potências econômicas, a  necessidade humana de subsistência, os governos autoritários regionais e a contínua ganância pelo poder conduziram a morte de pelo menos 5 milhões dos nossos irmãos africanos em conflitos por esses minérios. Desde o final da década de 1990, com o aumento na demanda por aparelhos de Tecnologia da Informação, a África Central sofre o derramamento de sangue simplesmente por ser o principal berço dos minérios mais fundamentais à existência dessa indústria.

Os minérios em questão provêm de minas controladas ilegalmente por tropas governamentais e das milícias armadas. Estas tropas e milícias usam os grandes lucros, derivados das minas, para fomentar os seus próprios planos e perpetuar a guerra através da compra de armas. Além disso, são responsáveis por algumas das piores atrocidades contra a humanidade e por graves violações de direitos humanos, inclusive o estupro (nos últimos 15 anos foram mais de 300 mil mulheres abusadas), chacinas e trabalho infantil. As condições de trabalho beiram a escravidão. Os civis das comunidades de mineração locais são forçados a participar deste comércio de mineração ilegal. Esta situação exerce um impacto sobre a parte legítima deste setor comercial importante, que é fundamental para a sustentabilidade da economia da RDC e para a proteção do seu povo.

Os minerais obtidos destas minas são, então, levados para fora da RDC por contrabando através dos países vizinhos como Uganda e Ruanda, a partir dos quais são exportados para o Extremo Oriente e fundidos com minerais provenientes de todo o mundo. Depois que os minerais são, digamos, "refinados" deste modo, é muito difícil localizar sua origem, Os minérios de conflito, portanto, chegam facilmente aos produtos dos consumidores em todo o mundo, podendo ser encontrados em todos os nossos dispositivos eletrônicos, incluindo telefones celulares, computadores de mesa, notebooks, tablets, etc.

A República Democrática do Congo e outros países da África Central possuem riquezas naturais igualmente contrabandeadas como, por exemplo, o cobre, o cobalto, madeiras preciosas e diamantes. No entanto, o Índice de Desenvolvimento Humano da localidade aponta para as últimas posições. Neste cenário, as denúncias da sociedade civil organizada apelam cada vez mais aos consumidores de produtos que contêm estes materiais. Na Espanha, a Rede de Entidades para a República Democrática do Congo - uma associação de organizações não governamentais e centros de pesquisa - lançou, em fevereiro de 2012, uma campanha para exigir dos fabricantes de elétricos e eletrônicos o compromisso em não usarem minérios de conflito em seus produtos. Como já discutido neste blog em postagem anterior, um excelente exemplo de compromisso ético em deliberadamente não utilizar minérios de zonas conflituosas em seus aparelhos, é o da Fairphone.

Em julho 2010, o congresso dos Estados Unidos estabeleceu a lei Dodd-Frank de Proteção ao Consumidor e Reforma da Wall Street. Nela, há uma disposição (seção 1502) cujo objetivo primacial é impedir que o exército nacional e grupos rebeldes na República Democrática do Congo utilizem ilegalmente os lucros obtidos do comércio de minerais para financiar mais conflitos.

Essa lei implicou em um grande embargo à exportação dos minérios em pauta. Como já explicado anteriormente, o derramamento de sangue devido à atividade ilegal da mineração acaba afetando atividades econômicas similares e legais que ocorrem na RDC e em países adjacentes. Mas, não havendo nenhum mecanismo de certificação para provar que nem todos os minérios exportados não financiavam a barbárie, a abrupta interrupção da atividade produziu um efeito oposto ao esperado. Alguns trabalhadores se alistaram em grupos armados depois de terem perdido o emprego. Desde então, mecanismos e estruturas estão sendo implantados para colocar selo nos minerais que não possuem relação com atividades criminosas.

É necessário comprovar que a mina não é controlada por grupos armados e que nela não trabalham crianças, mulheres ou qualquer ser humano em condição similar à escravidão. O governo local tem que chegar até a mina com o material de certificação para proceder com os as ações legais. O acesso íngreme às minas e o conflito tornam a tarefa uma verdadeira atividade hercúlea. Desde 2011, apenas 140 das aproximadamente 5000 minas conseguiram a certificação.

Na União Europeia, por sua vez, são cerca de 88.000 empresas que utilizam ouro, tungstênio, tântalo e estanho na produção de bens de consumo. Ou seja, possíveis minerais cuja origem pode estar relacionada às guerras e mortes supracitadas. No entanto, o Parlamento Europeu ainda está debatendo se os regula e, se sim, como regular. Até o momento, nenhuma ação foi tomada.

As decisões a respeito dos minérios de conflito flutuam conforme o ritmo do mercado internacional. Apesar de os congoleses serem os atores principais do processo, suas vozes geralmente não são ouvidas. As decisões sobre o futuro do país e de nações vizinhas quase sempre vêm de muito longe, sem buscar entender a realidade das pessoas que trabalham para que o mundo tecnológico continue em seu tão decantado "progresso".

Para finalizar, deixo-lhes como reflexão um trecho do artigo de Ricardo Antunes e Giovanni Alves intitulado "As mutações no mundo do trabalho na era da mundialização do capital".

"Contrariamente à interpretação que vê a transformação tecnológica movendo-se em direção à idade de ouro de um capitalismo saneado, próspero e harmonioso, estamos presenciando um processo histórico de desintegração, que se dirige para um aumento do antagonismo, o aprofundamento das contradições do capital. Quanto mais o sistema tecnológico de automação e das novas formas de organização do trabalho avança, mais a alienação tende em direção a limites absolutos.
[...]
A desumanização segregadora leva ao isolamento individual, às formas de criminalidade, à formação de guetos de setores excluídos, até a formas mais ousadas de explosão social que, entretanto, não podem ser vistas meramente em termos de coesão social da sociedade como tal, isoladas da forma de produção capitalista (que é produção de valor e de mais-valor)."

Quer saber mais sobre os minérios de conflito? Assista:




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domingo, 3 de novembro de 2019

Medalhas das Olimpíadas de Tóquio 2020 foram feitas de metais provenientes de lixo eletrônico

Não, você não leu errado. É isso mesmo!


Saudações Ecológicas!

Segundo o relatório Global e-waste Monitor, publicado em 2017 pela United Nations University, a humanidade produz anualmente cerca de 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Isso equivale a praticamente 4.500 Torres Eiffel! 

Desse montante, apenas 20% passa pelo correto processo descarte enquanto 80% ou não é documentado ou é descartado de forma incorreta. 

Comparada a outros continentes, a Ásia tem uma situação peculiar em relação aos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE) uma vez que possui vários países em desenvolvimento ou já fortemente industrializados. Isso gera uma discrepância em relação aos demais continentes do mundo quanto ao lixo eletrônico. Das 44,7 milhões de toneladas de e-waste produzidas globalmente, 18,2 (equivalente a 40,7%) milhões são produzidas na Ásia, sendo o continente que mais produz REEE. Desse total, apenas 2,7 milhões de toneladas são recicladas corretamente. 

Dentre os países que mais produzem REEE no mundo, dois asiáticos compõem o pódio: a China, em primeiro lugar, com 7,1 milhões de toneladas produzidas; e o Japão, em terceiro lugar, com 2,1 milhões de toneladas produzidas.

Apesar de ocupar essa desagradável posição, o Japão possui uma sólida legislação quanto à produção, ao uso e ao descarte dos aparelhos eletrônicos, tendo sido um dos primeiros países do mundo a implementar um sistema baseado em responsabilidade estendida para o produtor, tal como temos aqui no Brasil através da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305/10). 

Visando atuar no sentido de diminuir a quantidade de e-waste produzida pelos seus habitantes e, ao mesmo tempo, promover a sustentabilidade em um evento mundial, em 2017 o Japão anunciou que, para as Olimpíadas de Tóquio 2020, as medalhas entregues aos atletas laureados nas competições seriam produzidas a partir do ouro, da prata e do bronze coletados a partir de REEE.

Proposta extremamente audaciosa...mas que deu certo!

Entre abril de 2017 e março de 2019, os japoneses mobilizaram-se para o descarte ecologicamente correto de seus aparelhos eletrônicos. Neste período, 78 toneladas de lixo eletrônico foram coletadas. Os smartphones, principal categoria de equipamentos descartados, compuseram um total de 7 milhões de unidades.

Do material coletado, foram extraídos 32 kg de ouro, 3,5 toneladas de prata e 2,5 toneladas de bronze. Talvez devamos repensar o uso do termo lixo eletrônico.

Confiram como as medalhas ficaram!




sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Minicurso sobre Tecnologia da Informação e Sustentabilidade foi um sucesso!

Saudações Ecológicas!

Na manhã do dia 24 de outubro, o Campus Socorro do Instituto Federal de Sergipe realizou palestras, oficinas e minicursos em alusão à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). No ano de 2019, a SNCT teve como tema "Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável".

Atendendo ao contexto trazido pela temática, ministrei aos alunos dos Campus o minicurso "Tecnologia da Informação e Sustentabilidade: um olhar a partir dos 7 R's". Na atividade, pude apresentar e discutir alguns conceitos e práticas da TI Verde delimitando-as aos princípios dos 7 R's da sustentabilidade ambiental: repensar, recusar, reduzir, reparar, reutilizar, reciclar e reintegrar. 

Considerando que no Campus Socorro o único curso em atividade é o técnico subsequente em Manutenção e Suporte em Informática, o conteúdo apresentado no minicurso, pela sua potencial transversalidade, reforça o compromisso do Instituto Federal de Sergipe em preparar profissionais omnilaterais, críticos, ativos, multiplicadores e responsáveis pelo ciclo humano da vida.

Confiram algumas fotos!












Ao final do curso, os alunos foram convidados a realizar duas atividades. Uma delas, os incentivou a aplicar o conhecimento construído no minicurso através do Kahoot!, uma plataforma de aprendizado baseada em jogos. A outra atividade foi uma rápida oficina sobre gerenciamento de energia elétrica que, infelizmente, não conseguimos registrá-las em fotos :( . Mas confiram, abaixo, as fotos da aplicação do Kahoot!.








Os três primeiros colocados foram contemplados com brindes sustentáveis da Repense Ecoloja!





O minicurso serviu também para divulgação das atividades que acontecerão na Semana de Informática do Campus Socorro em março de 2020. Na oportunidade, também estarei ministrando um curso de 8 horas sobre TI Verde para os alunos deste Campus. E, é claro, conto com a participação de todos!


Até lá!!

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Lucas Feitosa

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